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Prodígios

Que magnífica descoberta! Um filme, não apenas sobre um professor de literatura, mas sobre a própria escrita.

«Prodígios» é, todo ele, feito à imagem de Michael Douglas. O actor aposta em funcionar contra a sua própria «imagem de marca», expondo sem complexos a evidência da sua idade e das suas marcas de envelhecimento. O professor que ele compõe surge, assim, como alguém que, através dos livros e da escrita, reconverte constantemente a sua relação com os outros (porventura nem sempre da forma mais consciente ou voluntária). Este é também, por isso mesmo, um filme de gerações avesso a todos os lugares-comuns paternalistas: cada personagem vive, afinal, o drama de repensar o seu lugar no mundo, num processo em que os afectos adquirem, por vezes, uma perturbante intensidade.



A ter em conta, as contribuições de três notáveis:

— Steve Kloves: autor do fabuloso argumento, ele que também escreveu e dirigiu esse filme desta mesma família romanesca que é Os Fabulosos Irmãos Baker;

— Dante Spinotti: simplesmente um dos mais geniais directores de fotografia em actividade, colaborador, entre outros, de Michael Mann («O Último dos Moicanos»«Heat»); com Curtis Hanson, já fotografara «L. A. Confidential»;

— Dede Allen: responsável pela montagem, ela é, nesse domínio, uma das personalidades chave da modernidade narrativa do cinema americano, tendo trabalhado, em particular, com Arthur Penn e Sidney Lumet — «O Pequeno Grande Homem» (Penn) e «Um Dia de Cão» (Lumet) são duas das suas proezas.

Nota: Steve Kloves e Dede Allen estão nomeados para os Oscars (melhor argumento adaptado e melhor montagem, respectivamente); a canção de Bob Dylan, «Things Have Changed», é a terceira e última nomeação do filme.

Título original: Wonder Boys Realizador: Curtis Hanson Intérpretes: Michael Douglas, Tobey Maguire, Frances McDormand, Robert Downey Jr., Katie Holmes, Rip Torn EUA/Alemanha/Grã-Bretanha, 2000

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