Despontou nos horizontes do Egito com o status de favorita na corrida pela Pirâmide de Ouro de 2025, e ela tem ADN ibérico: «Calle Málaga», de Maryam Touzani. Eis o filme mais “já ganhou”! do Cairo International Film Festival deste ano, com a diva madrilena Carmen Maura numa afiada atuação. No sábado, a fita ganhou três prémios noutro evento, a mostra competitiva de Mar Del Plata, na Argentina. Saiu de lá com as láureas de Melhor Filme, Melhor Atriz e o Prémio do Público. Musa de Pedro Almodóvar nos anos 1980, estrela de «Veneza» (2019), de Miguel Falabella, Carmen arrebata a terra dos faraós no papel de María Ángeles, espanhola de 79 anos que mora sozinha em Tânger, em Marrocos, e aprecia sua rotina diária. No entanto, sua vida vira do avesso quando a filha chega de Madrid para vender o apartamento onde sempre viveu. Determinada a ficar, María faz tudo o que pode para recuperar a sua casa e os seus pertences e, inesperadamente, redescobre o amor e a sensualidade.

“Existe um anjo da guarda muito forte, que me ajuda em tudo. E existe uma facilidade em imaginar, que vem desde que sou criança”, explicou Carmen à METROPOLIS em entrevista anterior às filmagens com Maryam.

Em 2018, ela foi ao Uruguai filmar com Falabella e se encantou com as estéticas latinas: “Existe um lugar do fantástico no imaginário de vocês. É uma questão de identidade. Quando eu comecei na profissão e passei a viajar por festivais, as grandes mostras da Europa nos confundiam: acreditavam que éramos portugueses ou então de alguma colónia africana. Aí veio Carlos Saura e mudou tudo, jogou a Espanha na ribalta. Depois veio Pedro.”

Ao lembrar do realizador manchego com quem rodou alguns de seus maiores sucessos, entre eles, «Volver», que rendeu um prémio de interpretação coletivo para as suas atrizes, em Cannes, em 2006.

“Pedro nos dava uma sensação de liberdade”, disse Carmen à METROPOLIS nos sets de «Veneza». “Nós levamos quase dois anos para fazer Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão [«Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón», 1980] porque não havia dinheiro. Quando arrumava alguma grana, Pedro fazia novas cenas. E a gente usava tudo emprestado. Mas aquele projeto louco foi uma aula de cinema para mim. Um curso sobre como fazer um filme, tirando uma ideia do zero em tempos complicados.

O Cairo International Film Festival segue até o dia 21, quando o júri presidido pelo cineasta Nuri Bilge Ceylan anunciará a lista de produções vitoriosas.

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