Início Site Página 4

Crimson Desert – actualização

0

A Pearl Abyss lançou o Patch 1.04.00 para Crimson Desert, trazendo uma vasta gama de aperfeiçoamentos na jogabilidade, sistemas expandidos e outras melhorias. Esta atualização baseia-se na prévia divulgada no início deste mês, introduzindo funcionalidades muito pedidas como definições de dificuldade, mais opções de armazenamento, novas mascotes, e sistemas de combate e controlos mais desenvolvidos, melhorando ainda mais a experiência dos jogadores após o lançamento.

­­
Detalhes do Patch 1.04.00

Definições de Dificuldade e Novas Habilidades de Personagem

Agora, os jogadores podem escolher entre os modos Fácil, Normal e Difícil no menu de definições. Estas opções permitem uma experiência de combate mais personalizada, sendo o modo Normal o modo básico, correspondente à dificuldade original, e o modo Difícil a oferecer maior força dos inimigos, novos padrões de ataque para certos bosses e janelas de parrying e dodging mais precisas para jogadores avançados. Além disso, foram introduzidas novas habilidades para personagens-chave e melhorias em determinados fluxos de ataque.

Melhorias no Sistema de Habitação e Armazenamento

Existem agora vários layouts selecionáveis para habitações e melhorias nos controlos de habitação, como a recuperação de móveis em lote. Juntamente com isto, uma variedade de novas opções de armazenamento foram adicionadas ao sistema de alojamento, permitindo aos jogadores aceder diretamente a itens armazenados durante o crafting ou culinária, sem terem de os ter no seu inventário.

Melhorias nos Controlos, Interface e Acessibilidade

Foi adicionado um recurso de predefinição de controlos para teclado/rato e comandos. As novas atualizações da interface incluem separadores de categorias de inventário, ferramentas de mapa melhoradas e interfaces de loja e missões mais claras, juntamente com novas opções de acessibilidade, como um modo para daltónicos.

Melhorias Técnicas e Visuais

Do ponto de vista técnico, a atualização introduz melhorias na fidelidade visual, incluindo uma renderização melhorada de ambientes distantes, iluminação e texturas melhoradas e um maior detalhe das personagens à distância. Foram implementadas otimizações específicas para cada plataforma – PC, consolas e Mac – com melhorias de estabilidade e várias correções de bugs para garantir uma experiência geral mais fluída.

Banda Sonora Original de Crimson Desert, Volume 1

A Pearl Abyss planeia também lançar o Volume 1 da banda sonora de Crimson Desert, composto por 75 faixas, num futuro próximo. A banda sonora estará disponível como DLC gratuito no Steam e na Epic Games Store e será também lançada nas principais plataformas globais de streaming de música. O lançamento da banda sonora está também previsto para o canal de YouTube da Pearl Abyss Music.

Teresa – Madre de Calcutá – trailer

Calcutá, Índia, agosto de 1948. Teresa, Madre Superiora do convento das Irmãs de Loreto, aguarda ansiosamente pela carta que finalmente lhe permitirá deixar o mosteiro e criar a sua nova ordem, em resposta ao chamamento que recebeu de Deus. Quando tudo parece pronto, confronta-se com um dilema que coloca em causa as suas próprias ambições e a sua fé, num momento de viragem crucial da sua vida.

Três Vezes Adeus – trailer

Após o que parecia ser uma discussão banal, Marta e Antonio separam-se. Marta reage à separação fechando-se em si mesma. O único sintoma que não consegue ignorar é a sua súbita falta de apetite. Antonio, um chef em ascensão, mergulha-se no trabalho. Mas, apesar de ter sido ele quem terminou a relação com Marta, parece não conseguir esquecê-la.

Quando Marta descobre que a sua perda de apetite tem mais a ver com a sua própria saúde do que com a dor da separação, tudo muda: o sabor da comida, a música, o desejo, a certeza das escolhas que foram feitas.

That Time I Got Reincarnated as a Slime O Filme: Lágrimas do Mar Azul-Celeste – trailer

Depois de concluir a cerimónia de abertura da Federação do Reino Demónio Tempest, Rimuru e os seus companheiros são convidados pela Imperatriz Celestial Elmesia, da grande nação élfica – a Dinastia de Feiticeiros de Thalion – a visitar a sua ilha-resort privada. Enquanto o grupo desfruta das suas breves férias, surge uma mulher misteriosa chamada Yura. Um novo incidente desenrola-se contra o pano de fundo do vasto mar azul-celeste.

Citadel T2 – trailer

Citadel é um thriller de espionagem que acompanha Mason Kane (Richard Madden), Nadia Sinh (Priyanka Chopra Jonas) e Bernard Orlick (Stanley Tucci) — agentes de elite de uma agência lendária destruída pela Manticore, uma rede implacável apoiada pelas famílias mais poderosas do mundo. Quando surge uma nova e aterradora ameaça, os três são forçados a voltar à ação. Agora, têm de recrutar uma improvável equipa de novos agentes qualificados e lançar uma missão à escala global para impedir uma conspiração capaz de mudar o rumo da humanidade. Com ação de cortar a respiração, traições inesperadas e um elenco alargado de agentes misteriosos, os riscos nunca foram tão elevados – e qualquer um pode ser amigo ou inimigo.

A Dança das Raposas – trailer

Num colégio interno desportivo, Camille, jovem e talentoso pugilista, sobrevive por pouco a um acidente
fatal, salvo pelo seu melhor amigo. Após uma rápida recuperação, uma dor inexplicável vai-se apoderando
de Camille, ameaçando os seus sonhos de grandeza e a sua relação com a equipa. No ringue e num mundo de
homens, as fraquezas são mal vistas.

Damas – trailer

Depois da estreia mundial no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), no México, em 2025, DAMAS, de Cláudia Alves, é finalmente exibido em Portugal.

Ao cruzar material de arquivo, imagens filmadas com uma câmara Super 8, encenação e voz-off, este documentário histórico propõe um olhar sensível e contemporâneo acerca de um episódio pouco conhecido da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial: um grupo de mulheres de alta sociedade que se voluntariou para servir em França como enfermeiras da Cruz Vermelha.

Também conhecidas como damas enfermeiras, estas assumiram não só o cuidado dos soldados portugueses feridos e doentes, como a ambiciosa missão de construir um hospital de raiz em Ambleteuse, no noroeste francês. Em DAMAS, a realizadora propõe uma interpretação livre dessa realidade, com um ângulo documental que mergulha na ficção, a partir de imagens e relatos de diferentes documentos.

Mais do que um retrato histórico, o filme desenvolve uma narrativa íntima sobre a coragem e a resiliência destas mulheres, inspiradas pelas sufragistas, ao erguer um hospital em França durante uma das guerras mais violentas do século XX (1914-1918), funcionando simultaneamente como uma metáfora perfeita da real luta pela igualdade de género. “Ansiamos por um hospital onde as regras não sejam ditadas por homens”, suspira-se a certa altura na longa-metragem.

Entre os obstáculos e contratempos, o hospital abre as portas a 9 de Abril de 1918, precisamente no dia em que teve início a Batalha de La Lys. Apesar do ataque alemão que tornou esta numa das datas mais sangrentas da história de Portugal, o momento marcou um passo importante na emancipação das mulheres portuguesas.

Projecto Global

«Projecto Global», de Ivo M. Ferreira («Cartas da Guerra»), — estreado no Festival Internacional de Cinema de Roterdão —, chega agora às salas e parte de um daqueles temas de que, em Portugal, ainda se fala em voz baixa ou com um pigarro nervoso: as FP-25. Mas esqueçam o telejornal, o documentário explicativo ou o tribunal moral de café. Ferreira não está interessado em explicar tudo do ponto de vista histórico; está muito mais interessado em tornar mais complexo o drama e as contradições emocionais dos envolvidos nessa força revolucionária da esquerda radical, responsável por alguns dos maiores atentados em Portugal entre 1976 e 1978. Sejamos correctos, ao contrário daquilo que foi dito há dias no Parlamento português pelo líder da bancada de extrema-direita. Não consigo deixar passar isto…

«Projecto Global» começa como thriller — o jogo do gato e rato, polícia e operacionais, sombras, perseguições —, mas rapidamente percebemos que o verdadeiro jogo não é entre lados opostos. É dentro da cabeça de cada personagem. Especialmente Rosa, interpretada por Jani Zhao, que vive dividida entre o palco do teatro e a clandestinidade, entre a convicção e aquela suspeita de que talvez esteja tudo errado — “o que ando a fazer?” —, mas não tem alternativa. Ou pior: de que não há maneira certa de o fazer.

E aqui está o golpe de génio (ou a armadilha, depende da disposição do espectador): ninguém tem razão suficiente para descansar. Nem os revolucionários, nem os investigadores, nem nós, que nos sentamos confortavelmente na cadeira a achar que sabemos sempre distinguir o bem do mal, como quem escolhe entre duas filas no supermercado. Ferreira tira-nos esse conforto como quem puxa a toalha da mesa e ainda ficamos a segurar os copos.

Há um prazer quase perverso na forma como o realizador recusa fazer um filme “importante” no sentido chato da palavra. Não há discursos, não há panfletos, não há aquela tentação portuguesa de transformar tudo em tese de doutoramento com fotografia bonita. Há, isso sim, actores a respirar, personagens a hesitar, a tropeçar nas próprias convicções. E sente-se que o casting — Jani Zhao, Gonçalo Waddington, Ivo Canelas, principalmente — foi pensado menos em termos de currículo e mais em termos de nervo, de presença, de “qualquer coisa” difícil de explicar, mas impossível de ignorar.

E depois há essa ironia deliciosa: Ferreira diz que fez exactamente o filme que queria fazer… e afinal fez dois. Um para cinema e outro para televisão — que veremos mais tarde e que, se calhar, nos dará uma dimensão maior daquilo que foi o país quase em chamas nesse tempo histórico e revolucionário logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 —, como se o próprio “Projecto Global” recusasse caber numa única forma. O que, convenhamos, é bastante coerente com um filme sobre gente que também nunca coube em lado nenhum: nem na História, nem na moral, nem na paz de espírito.

No fim, saímos da sala com aquela sensação rara e incómoda: não aprendemos uma lição, não recebemos respostas, não ficámos mais tranquilos, nem saudosos desses tempos. Ficámos mais inquietos e a pensar como foi possível ultrapassar tudo isto para termos a democracia em que vivemos, mas que começa, perigosamente, a dar sinais de fragilidade.


Título Original: Projecto Global
Realização: Ivo M. Ferreira
Com: Jani Zhao, Gonçalo Waddington, Ivo Canelas, Rodrigo Tomás, José Pimentão
Origem: Portugal/Luxemburgo
Duração: 141 min.
Ano: 2025
Género: Drama, Acção

A Rapariga que sabia demais

“Não é tão bom podermos falar de tudo abertamente?” é a pergunta que ecoa pelo filme de Frédéric Hambalek, estreado na competição do Festival de Berlim o ano passado, um ensaio satírico em torno do que aconteceria se os filhos estivessem presentes para os pais enquanto indivíduos, a navegar os seus mundos privados, no trabalho e na sua vida pessoal. Acontece à família de Marielle, uma jovem de 12 anos que adquire capacidades telepáticas e que passa a testemunhar, na primeira pessoa, a passividade do pai na empresa editorial onde trabalha, e o que parece ser o início de um caso extraconjungal entre a mãe e um colega de trabalho. Ao assistir-se à ruptura percepcional do status quo daquela família burguesa entre os seus vários membros, as lutas diárias para recuperar a imagem das pessoas que a filha imaginava que eram até então abrem caminho para um lugar insólito, onde pais e filha se encontram na mesma escala de igualdade, livres de máscaras sociais ou quaisquer outros esconderijos.

Tendo em conta a sua textura elíptica (sequências divididas pela cara da filha, que é o olhar no céu que tudo vê, ouve e sabe) e muita secura tonal, seria de esperar que «A Rapariga que sabia demais» se reduzisse a um filme-conceito fantasioso. É, afinal, um gume episódico, uma crónica que responde à possibilidade de um “e se”. Mas Frédéric Hambalek expande a ideia com mestria, equilibrando a crueza formalista com o questionar universal dos papéis, regidos por hierarquias, nomeadamente de género, protagonizadas nas vidas de todos nós. Hambalek não fecha o seu filme na fantasia, e Marielle torna-se o espelho identitário dos pais. Para além disso, é também um filme que se regozija no desejo de trazer para primeiro plano a distinção entre força e autoridade nas relações sociais e humanas. Quanto mais em frente anda mais desbloqueia esse seu lado surreal, reminiscente do mesmo mundo desconfortável que há muito tem vindo a ser reproduzido por tanto Yorgos Lanthimos como Ruben Östlund ou Quentin Dupieux, todos juntos na missão de denunciar as bizarrices do comportamento humano.

No entanto, quando «A Rapariga que sabia demais» nos deixa, fica retida a compacidade e a perspicácia crocante do exercício, mas não muito mais. Teria sido benéfico testemunhar vivências antes e depois do fenómeno paranormal com vista a evitar o eventual emagrecimento de uma premissa que merecia ser fortalecida pela duração do filme e irreverência desse maior guião.  Ainda assim, a indicação é clara: a descoberta precoce de uma filha que pode amar os pais, mas não tem de gostar deles. Mais cinema devia iluminar estes caminhos tragicómicos no seio familiar que normalmente só acabam desvendados durante a idade adulta. Não nos podemos esquecer que estamos todos a viver pela primeira vez.

TÍTULO ORIGINAL: What Marielle Knows
REALIZAÇÃO: Frédéric Hambalek
ELENCO: Julia Jentsch, Felix Kramer, Laeni Geiseler
ORIGEM: Alemanha
DURAÇÃO: 87 min.
ANO: 2025

A Mulher Mais Rica do Mundo

Inspirado livremente no célebre caso Affaire Banier-Bettencourt, «La Femme la Plus Riche du Monde/A Mulher Mais Rica do Mundo» assume desde o início uma postura clara: não pretende ser um retrato factual, mas antes uma transposição ficcional estilizada, onde o drama burguês se mistura com a sátira social. Essa escolha, longe de fragilizar o filme, constitui precisamente a sua maior virtude.

Klifa evita o biopic clássico e privilegia uma abordagem quase operática. Como o próprio afirmou em entrevistas, a ficção “libertou o imaginário” e permitiu explorar zonas íntimas inacessíveis ao discurso mediático. O resultado é um filme que se afasta da reconstituição jornalística e se aproxima de uma fábula sobre poder, solidão e dependência emocional.

No centro está Marianne Farrère, interpretada pela magistral Isabelle Huppert, uma herdeira bilionária cuja existência parece suspensa entre o luxo e o vazio. A sua relação com o fotógrafo Pierre-Alain Fantin (Laurent Lafitte) constitui o motor dramático: uma ligação ambígua, simultaneamente afetiva, artística e financeira. Tal como várias críticas sublinham, o filme transforma um escândalo mediático num “retrato nuançado” com interpretações sem falhas.

 Contexto real: Bettencourt e Banier

Para compreender plenamente o alcance do filme, importa recordar o caso que o inspira. Liliane Bettencourt foi durante anos a mulher mais rica do mundo, herdeira do império L’Oréal. Nos anos 2000, tornou-se protagonista de um escândalo judicial envolvendo doações milionárias ao fotógrafo e escritor François-Marie Banier.

Banier, figura excêntrica do meio artístico parisiense, foi acusado pela filha de Bettencourt de abusar da fragilidade psicológica da milionária para obter presentes avaliados em centenas de milhões de euros. O caso, amplamente mediatizado, expôs tensões familiares, relações de poder e a vulnerabilidade no interior das elites económicas.

Klifa não reconstitui diretamente esses factos, mas utiliza-os como matriz narrativa. Ao mudar nomes e circunstâncias, o realizador desloca o foco do escândalo jurídico para a dimensão emocional: o desejo de afeto, a manipulação e a solidão estrutural das grandes fortunas.

 Uma comédia cruel e sofisticada

Um dos aspetos mais bem-sucedidos do filme é o equilíbrio tonal. Co-escrito por Cédric Anger, o argumento oscila entre comédia mordaz e tragédia íntima. Como referido numa entrevista, a intenção era encontrar um ponto intermédio entre comédia e drama amoroso. Essa ambivalência traduz-se num ritmo ágil, onde diálogos incisivos coexistem com momentos de verdadeira melancolia.

A mise-en-scène reforça essa dualidade. O universo dos ultra-ricos é apresentado com uma elegância quase artificial, mas nunca totalmente glamorizado. Pelo contrário, o filme insiste na ideia de clausura: mansões como prisões douradas, relações humanas mediadas pelo dinheiro, afetos contaminados por interesses.

Klifa declarou que o seu interesse residia menos no escândalo público do que “na família, no íntimo”. Essa opção confere ao filme uma dimensão quase clássica, evocando tragédias onde a irrupção de um elemento externo — aqui, o fotógrafo — desestabiliza todo um sistema.

 Interpretações e construção dramática

O filme apoia-se fortemente no seu elenco. Huppert oferece uma performance de grande contenção, evitando qualquer caricatura. A sua personagem nunca é reduzida a vítima ou cúmplice; permanece ambígua, consciente e vulnerável em simultâneo. Já Lafitte introduz uma energia caótica que dinamiza a narrativa, funcionando como catalisador de conflitos.

 Avaliação global

«A Mulher Mais Rica do Mundo» não pretende oferecer respostas definitivas sobre o caso Bettencourt. Em vez disso, propõe uma leitura subjetiva e estilizada, onde a verdade factual cede lugar à verdade emocional. Essa escolha pode frustrar quem procura rigor histórico, mas revela-se particularmente eficaz do ponto de vista cinematográfico.

Ao transformar um escândalo mediático numa obra de ficção sofisticada, Klifa consegue evitar o sensacionalismo e construir um objeto artístico coerente. O filme funciona simultaneamente como sátira social, drama psicológico e reflexão sobre o isolamento das elites.

Em síntese, trata-se de uma obra sólida e elegante, sustentada por interpretações de alto nível e por uma escrita que privilegia a ambiguidade. Mais do que contar “o que aconteceu”, o filme interroga por que razão histórias como esta continuam a fascinar — e o que revelam sobre o poder, o dinheiro e a necessidade humana de reconhecimento.