Depois da estreia mundial no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), no México, em 2025, DAMAS, de Cláudia Alves, é finalmente exibido em Portugal.
Ao cruzar material de arquivo, imagens filmadas com uma câmara Super 8, encenação e voz-off, este documentário histórico propõe um olhar sensível e contemporâneo acerca de um episódio pouco conhecido da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial: um grupo de mulheres de alta sociedade que se voluntariou para servir em França como enfermeiras da Cruz Vermelha.
Também conhecidas como damas enfermeiras, estas assumiram não só o cuidado dos soldados portugueses feridos e doentes, como a ambiciosa missão de construir um hospital de raiz em Ambleteuse, no noroeste francês. Em DAMAS, a realizadora propõe uma interpretação livre dessa realidade, com um ângulo documental que mergulha na ficção, a partir de imagens e relatos de diferentes documentos.
Mais do que um retrato histórico, o filme desenvolve uma narrativa íntima sobre a coragem e a resiliência destas mulheres, inspiradas pelas sufragistas, ao erguer um hospital em França durante uma das guerras mais violentas do século XX (1914-1918), funcionando simultaneamente como uma metáfora perfeita da real luta pela igualdade de género. “Ansiamos por um hospital onde as regras não sejam ditadas por homens”, suspira-se a certa altura na longa-metragem.
Entre os obstáculos e contratempos, o hospital abre as portas a 9 de Abril de 1918, precisamente no dia em que teve início a Batalha de La Lys. Apesar do ataque alemão que tornou esta numa das datas mais sangrentas da história de Portugal, o momento marcou um passo importante na emancipação das mulheres portuguesas.



