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A Múmia de Lee Cronin

A partir de uma das figuras mais emblemáticas do terror clássico, o realizador Lee Cronin reinterpreta a múmia para novos públicos, aproximando-a do território das possessões, na claustrofobia do espaço familiar limitado. Aqui, o grande alicerce é o gore, explorado sem subtilezas nem lamentos. O grotesco intensifica a experiência, é certo, mas, ainda assim, pese a vontade de reimaginar um monstro “tradicional” e dar-lhe novas camadas geográficas (do Egipto aos Estados Unidos) e emocionais (a partir do luto e da culpa), há demasiadas fórmulas cansadas e pouco de memorável neste «A Múmia de Lee Cronin».

A narrativa começa no Egipto, onde o jornalista americano Charlie (Jack Reynor) vive com a sua mulher e dois filhos pequenos, incluindo a pequena Katie (Emily Mitchell). Katie desaparece, levada por uma figura misteriosa, e o caso permanece sem resolução durante oito anos, enquanto a família regressa aos Estados Unidos. Até que, sem ninguém esperar, Katie (já numa versão interpretada por Natalie Grace) é encontrada viva dentro de um sarcófago antigo, entre os destroços da queda de um avião, envolta em pergaminhos e de aparência “mumificada”, num estado que oscila entre o catatónico e a reação violenta. A ida para a casa da família, para uma recuperação gradual, com comportamentos cada vez mais perturbadores, revela que algo sobrenatural se passa com Katie.

«A Múmia de Lee Cronin» aproxima o universo das múmias do antigo Egipto do terror das possessões em cenário doméstico (de «O Exorcista» ao «Evil Dead», franquia por onde já havia passado Lee Cronin). No entanto, é quando ambos os universos se sobrepõem, quase na totalidade, que a narrativa se esvazia e recai em lugares-comuns.

A visceralidade e os efeitos de som, acompanhados de um uso dinâmico dos grandes planos e planos de pormenor, geram entretenimento e algumas sequências de destaque (incluindo a caricata cena de cuidados de beleza a uma múmia maligna), mas a sensação geral é de que o filme fica aquém do potencial a que se propôs. Sensação essa que sai reforçada com um final morno.

Não obstante as suas falhas, «A Múmia de Lee Cronin» é um dos incontornáveis de terror do ano, sobretudo para o público fiel de abordagens mais gore. Lee Cronin, que assina também o argumento além da realização, continua a demonstrar o seu engenho no género do terror. Fica apenas a dúvida sobre se será já o suficiente em termos de legado para justificar a opção de associar o título do filme ao nome próprio (a la John Carpenter), sobretudo junto do público em geral.

Título original: «Lee Cronin’s The Mummy»
Realizador: Lee Cronin
Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy
Origem: Irlanda, Estados Unidos da América
Duração: 134 minutos
Ano: 2026

Chernobyl

O que têm «Scary Movie 3 – Outro Susto de Filme» (2003), «A Ressaca – Parte II» (2011) e «Vigarista à Vista» (2013), três comédias de sucesso de Hollywood, em comum com «Chernobyl»? Acredite ou não, o argumentista do trio de filmes, Craig Mazin, é o criador responsável pela minissérie da HBO. Já o realizador Johan Renck é um nome mais associado a telediscos, mas tem estado envolvido em anos mais recentes na direção de séries como «Breaking Bad», «Vikings» ou «Bloodline». Currículos e origens à parte, a dupla combina de forma perfeita para criar a monstruosidade que é o drama histórico «Chernobyl».

Os fantasmas do passado ainda têm força para nos atirar ao chão

O desastre nuclear de Chernobyl, em 1986, é um tema recorrente nas salas de aula, nos canais de documentários e até em conversas circunstanciais. A explosão que destruiu a Central Nuclear, devido a um teste que correu mal e que teve erro humano, é também escrita de pessoas que morreram na noite da tragédia, ou como ‘danos colaterais’ nos dias e nos anos seguintes, sendo imensurável o impacto que a toxicidade teve na região. A narrativa coloca no epicentro da discussão o real – ainda que ficcionado – Valery Legasov (Jared Harris), um químico proeminente na sua época, que foi chamado a analisar a catástrofe e viveu depois atormentado com o que viu e descobriu.

Legasov terá gravado uma cassete antes da sua morte, onde abordava a conspiração por detrás de Chernobyl e a tentativa que houve de abafar a tragédia. É este o ponto de partida da minissérie, o áudio, seguindo-se uma viagem ao passado até ao momento imediatamente após a explosão, em abril de 86. Tendo na nossa posse, olhando do futuro, o conhecimento das consequências, torna-se doloroso assistir à desdramatização do desastre. Nikolai Fomin (Adrian Rawlins), o engenheiro-chefe da Central e apontado com um dos principais culpados, é um dos que se apresenta mais relaxados e em constante negação, desvalorizando as preocupações.

Esta ingenuidade estende-se a hierarquias superiores, no início, bem como à população que se aproxima da colina para poder observar o incêndio em toda a sua grandiosidade. Sabemos o que vai acontecer, a radioatividade e a sua força, o erro que é tamanha exposição aos químicos e a recusa de extrair toda a gente da cidade, mas a série retrata isso de forma sublime. Até no simbolismo. A fazer lembrar uma chuva de cinzas, os resíduos de Chernobyl vão-se alastrando pelas redondezas e caindo sobre os bombeiros e as pessoas que, à distância, apenas admiram o ‘espetáculo’ de luzes.

O facto de sabermos o que se segue é um peso duro de levar às costas. De pouco importa se aquelas personagens não existiram, ou se as reais em que se inspiram não agiram exatamente assim: elas existem para servir a história, bem maior do que qualquer individualidade mas que, ainda assim, não quer descurar cada uma delas. Desenvolve-as, dá-lhes personalidade e complexidade, também para estabelecer uma maior empatia com a audiência. Não faltam elogios para «Chernobyl»; ser a melhor série de sempre ou não é discutível, mas a sua qualidade é algo que fala por si a cada episódio. Para abrilhantar ainda mais «Chernobyl», há um elenco de luxo, onde se destacam, além de Harris, Stellan Skarsgård, Emily Watson ou Donald Sumpter.

É quase impossível encontrar palavras para descrever o assombro que é «Chernobyl». O impacto com que cada queda, cada face vermelha e condenada pela toxicidade, cada descrédito do perigo e cada imponência nos atingem é avassalador. O público acompanha a narrativa consciente de muito do que nos espera, sem poder fazer nada, apenas testemunhando a estupidez (ou inocência) das escolhas e, posteriormente, os jogos políticos para conter o escândalo social e global do desastre de Chernobyl. Trata-se um murro certeiro no estômago, concretizado de modo sublime pela escrita do argumento e pela realização crua e próxima de Renk. Apesar da sua qualidade inegável, talvez fosse difícil ‘aguentar’ mais do que cinco episódios, tal a sua força.

[Crítica publicada na revista Metropolis 69, Junho 2019]

O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder

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Uma das produções mais ambiciosas do universo de J.R.R. Tolkien chega agora aos canais TVCine. «O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder» transporta os espectadores de volta à Terra Média, explorando um período anterior aos acontecimentos das trilogias cinematográficas.

Costuma dizer-se que em equipa que ganha não se mexe. Como tal, toca de recuperar uma personagem do universo de J.R.R Tolkien, Galadriel (nos filmes Cate Blanchett) – e não só –, para tentar mais uma aposta de sucesso da saga literária e cinematográfica «O Senhor dos Anéis». Antes dos eventos de todos os filmes, os originais e a trilogia «O Hobbit», «O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder» estabelece o início de um conflito, bem como o fantasma da sua não-conclusão para, recorrendo a ingredientes já estabelecidos, criar uma narrativa interessante para fãs e espectadores de primeira viagem.

O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder

Nothing is evil in the beginning”. A frase inicial lança o mote daquela que será a temática da série em estreia nos canais TVCine. Galadriel (Morfydd Clark), uma figura que virá a ser emblemática na história dos Elfos, é uma comandante amargurada pela morte do irmão. Envolvida na resistência, segue há muito tempo (alguns diriam demasiados) o encalço de Sauron, que ela acredita ter sobrevivido à guerra que a série apresenta logo de início. Apesar de o nome fazer soar logo os alarmes dos fãs da saga, a verdade é que é pouco provável que Sauron seja o vilão principal da primeira temporada. É uma caminhada, não um sprint.

Sem revelar muito sobre o que aguarda a audiência em «O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder», há personagens familiares com encontro marcado na prequela. Falamos de figuras como Elrond (Robert Aramayo) ou grupos como os Khazad-dûm, então a viver tempos de glória. Os ecos da mítica saga, como seria de esperar, estão todos lá; é uma questão de tempo e paciência para conhecer uma das histórias de origem do universo literário apresentado no grande ecrã pela primeira vez em 2001, com «O Senhor dos Anéis – A Irmandade do Anel».

Em relação a expetativas, é sempre uma questão subjetiva e que, possivelmente, vai dividir a fandom. Apesar disso, «O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder» não inventa e é uma série bastante segura, apoiada no histórico e nos pressupostos lançados, ainda que a séculos de distância. Há um certo respeito, tanto narrativo como em termos de ação, que não causa qualquer mácula ao mundo Tolkiano.

No entanto, há também espaço para surpresas. Personagens como Halbrand (Charlie Vickers) criam um fator inesperado na realidade de Galadriel, enquanto o misterioso gigante Adar (Joseph Mawle) promete abalar a tranquilidade dos Harfoots, que já antecipam alguma tragédia nos sinais que vão recebendo. Será de esperar um novo (baseado num “velho”) fenómeno televisivo.

Lumière, A Aventura Continua

Em 1995, muitos foram os que embarcaram na celebração do que consideraram ser o centenário do Cinema, aceitando a data de 1895 como o início de uma grande e fascinante aventura espoletada por uma inovação e uma atividade comercial que viria a ser designada por sétima arte. Para o justificar invocaram a organização da sessão pública e paga do Cinematógrafo Lumière, realizada no Salon Indien du Grand Café de Paris, situado no Boulevard des Capucines, precisamente no dia 28 de Dezembro de 1895. Resta saber que a iniciativa das comemorações foi sobretudo apadrinhada pela França que, num furor nacionalista, pareceu apostada em ignorar, não digo a História do Cinema mas os antecedentes que permitiram de facto a concretização do sonho de dois irmãos, Louis Lumière (1864-1948) e Auguste Lumière (1862-1954) e, já agora, do seu pai, Antoine Lumière (1840-1911), sim, porque foi ele quem primeiro perspectivou em 1894 a possibilidade de projectar num grande ecrã e para um grande público as imagens em movimento que observara num Kinetoscope do inventor, empresário e cientista americano Thomas Edison (1847-1931). Estas máquinas permitiam ver pequenos filmes através de um visor, mas não estavam preparadas para os projectar. Em abono da verdade e prosseguindo o que refuto ser a mais elementar justiça e rigor de análise, apesar de Thomas Edison ser o pai conceptual desses aparelhos, quem desenvolveu a respectiva mecânica, assim como a “sua” máquina de filmar, a Kinetograph, a que podemos juntar a película de celulóide, foi o seu assistente, o escocês William Dickson (1860-1935). Neste domínio foi apenas ultrapassado por Louis Le Prince (nascido em Metz no ano de 1842 e desaparecido em 1890 em circunstâncias que permanecem misteriosas). Este francês expatriado em Inglaterra já rodara naquele país a 14 de Outubro de 1888 alguns filmes com um aparelho de lente única (o MkII), como os que podemos ver hoje sob a forma de brevíssimos fragmentos, o Roundhay Garden Scene, o Traffic Crossing Leeds Bridge e o Accordion Player.

Dito isto, não pretendo de modo nenhum diminuir a importância da invenção do Cinematógrafo, um notável salto em frente devido ao facto de ser mais leve do que as Kinetograph (porque não usava motor eléctrico, mas sim uma manivela que uma vez manipulada inseria uma espécie de garra nas perfurações da película permitindo que ela passasse diante da abertura para se obter uma sequência de fotogramas), e ainda porque era um aparelho multifuncional: filmava, revelava e projectava. Diga-se, aliás, que enquanto programador de cinema da RTP2 e autor e realizador do ONDA CURTA exibi no programa vários blocos não cronológicos com curtas dos Irmãos Lumière (365 ao longo de 2001-2002, e posteriormente na emissão ao ritmo de uma por dia), não por causa dos ecos do centenário mas porque sempre as considerei peças essenciais para se perceber a evolução do Cinema, tanto na Europa como no Mundo. Seja como for, nunca me pareceu curial confundir a invenção de maquinaria, mesmo que essa resultasse de um projecto visionário e genialmente concebido, com a invenção do Cinema enquanto espectáculo social e culturalmente relevante. Uma invenção cujas raízes podemos encontrar numa vasta galeria de verdadeiros pioneiros como, para citar apenas os mais influentes e mais próximos da família Lumière, o francês Émile Reynaud (1844-1918) que inventou o Praxinoscope, aperfeiçoamento do Zootrope, e exibiu publicamente as suas Pantomines Lumineuses no Musée Grevin a 28 de Outubro de 1892, na prática os primórdios do cinema de animação, e Max Skladanowsky (1863-1939) e Emil Skladanowsky (1859-1945), que na Alemanha inventaram o Bioskop com o qual projectaram figuras em movimento para um público pagante a 1 de Novembro de 1895. Todos estes acontecimentos decorreram antes da sessão dos Irmãos Lumière inicialmente citada neste artigo. Mas o que constitui ainda maior prova da vontade de puxar a brasa a uma sardinha gaulesa e a uma data redonda muito ao gosto do marketing político-cultural, e não só, será o facto de até os Irmãos Lumière, no seu percurso para a aventura que queriam iniciar com maior amplitude e consequente lucro, serem protagonistas da dita sessão do Grand Café só depois de marcarem um conjunto de outras sessões reservadas a especialistas com peso e significado no mundo da Fotografia e do Cinema, mesmo que os seus meandros fossem ainda jovens e voláteis no plano meramente comercial. Nessa altura, muito provavelmente devido ao facto de os Irmãos Lumière serem herdeiros de um pai, pintor e fotógrafo, cujo poder financeiro fora obtido através do melhoramento e relativa democratização dos suportes fotográficos (por exemplo, as placas de gelatino-brumeto), os filmes de 35mm com uma média de cinquenta segundos por eles produzidos apresentavam quase sempre enquadramentos com grande sentido da composição pictórica onde era visível um olhar muito incisivo e particular sobre a realidade circundante. Os Filmes Lumière, com raras excepções, foram concebidos num só plano, mas alguns já incluíam movimentos provocados pela deslocação da câmara instalada em veículos que avançavam sobre carris, ou panoramas da costa a partir da navegação de um barco ou navio, e muito raramente sobre plataformas mais frágeis ou menos estáveis. Realizados maioritariamente por Louis Lumière e por diversos outros operadores formados para os devidos efeitos, foram incluídos no chamado CATALOGUE DES VUES POUR CINÉMATOGRAPHE, sendo a associação de Vues + Cinématographe uma outra forma de dizer “fotografias animadas”.  

Em resumo, para abreviar uma matéria que daria pano para mangas e me ocuparia uma edição completa da METROPOLIS, acrescento apenas esta reflexão: o nascimento do Cinema não foi, como o querem fazer crer alguns fantasistas, consequência feliz de uma noite de insónia de Louis Lumière (como já ouvi dizer a muito boa gente) durante a qual recebeu uma epifania sabe-se lá se do Deus da Luz (lá está, Lumière), mas sim da soma de muitos contributos de homens e curiosamente de poucas mulheres que ao longo de anos acumularam a informação necessária e suficiente para se dar o grande sinal de partida para o começo de uma aventura programada e controlada por empresários e artistas, que ainda hoje perdura apesar da influência cada vez mais consolidada e por vezes intrusiva do digital e mais recentemente da AI. Para quem se interessa por aprofundar o estudo desta época, aqui ficam alguns nomes fundamentais, cuja importância não podemos esquecer na longa caminhada para o Cinematógrafo: os precursores Nicéphore Nièpce (1765-1833) e Louis Daguerre (1787-1851) no campo puro da fotografia e, mais para a frente, Étienne-Jules Marey (1830-1904, inventor do revólver fotográfico e da Chronophotographie) e Eadweard Muybridge (1830-1904, que usou a cronofotografia na decomposição fotográfica dos movimentos do corpo humano e dos animais e projectou a sequência de provas assim obtidas através do Zoopraxiscope). Todos os nomes são dignos do maior destaque para além dos anteriormente citados, e ainda alguns que ficaram de fora mas aos quais voltarei um destes dias.

E agora passemos ao quadro das estreias em sala para destacar aquela que pela mão da MIDAS Filmes nos vai dar a conhecer, digamos, a segunda parte de um documentário que se intitulou “Lumière! L’Aventure Commence” (Lumière! A Aventura Começa), 2017. Esta introdução que vos ofereci foi motivada nem mais nem menos pela revisão desta obra, na minha opinião, um pouco redutora no plano da contextualização histórica, com um ou outro “simpático” delírio nos comentários aos filmes seleccionados, e pela grata descoberta do actual e mais consistente “Lumière! L’Aventure Continue” (Lumière! A Aventura Continua), 2025, ambos com a assinatura de Thierry Frémaux (para quem não saiba, o Director Geral do Instituto Lumière de Lyon e Delegado Geral do Festival de Cannes desde 2007). Entre as duas produções, oito preciosos anos passaram e, pelo que me foi dado ver, foram bem aproveitados para aprofundar e esclarecer alguns pontos que, como disse, não ficaram claros na anterior abordagem. Nomeadamente, a verdade histórica associada a questões como a paternidade e cronologia da invenção do Cinema e a posição ocupada pelos Lumière neste contexto. Muito me agrada que nesta segunda selecção e montagem logo de início se faça notar com apurado sentido de autenticidade e boa-fé. Citando o próprio filme: No fim do Verão de 1894, Antoine Lumière, pai de Louis e Auguste, descobre em Paris o Cinetoscópio de Thomas Edison, um pequeno ecrã individual onde as imagens ganham vida quando se insere uma moeda. “Temos de retirar a imagem desta caixa”, diz Antoine, “ e projectá-la diante do público e num grande ecrã. Vou regressar a Lyon e os meus filhos hão-de descobrir”. Estas palavras ditas por Thierry Frémaux, responsável pelos comentários e pela magnífica selecção de mais de uma centena de curtas produzidas entre 1895 e 1905, impecavelmente restauradas e digitalizadas, culminam com a legenda LUMIÈRE, LE CINÉMA! Não podia ser melhor escolha para abrir com chave de ouro uma viagem absolutamente encantada por uma cinematografia que estabeleceu as bases de uma nova linguagem e que gerou nos espectadores de então, e ainda gera nos de hoje, a capacidade de ver para além dos fotogramas e das 16 imagens por segundo. Trata-se de partilhar uma nova visão do mundo que nos rodeia. Para os mais despreocupados ou os mais cinéfilos que sempre olharam com prazer e deleite as manifestações da nova arte e indústria, a obra dos Irmãos Lumière, agora devolvida ao grande público, constituiu a oportunidade de fruir numa escala adequada, ou seja, num grande ecrã, o fulgor da viagem que naqueles anos se iniciava e nos convidava a sentirmo-nos parte da vida quotidiana do Século XIX. Partilha colectiva no interior de uma sala de cinema. Por outro lado, essas sombras e luzes do passado confrontam-se hoje com a memória das imagens pretéritas que não se perderam e felizmente perduram em pleno Século XXI. Mesmo sem som, elas “falam” connosco. E garanto-vos que o prazer de nos sentirmos nesse limbo entre o Espaço Fílmico e o Tempo não acaba num só visionamento. Estes filmes são para guardar e preservar como um bálsamo para lavar os olhos e os ouvidos do(s) ruído(s) que prevalece(m) em muitos caminhos cruzados do cinema actual, organizado para nos dar a sensação de uma vida a correr, planos atrás de planos, invadidos por sons a pisar e destruir os efeitos mais subtis da banda sonora onde a voz humana cada vez conta menos. Thierry Frémaux consegue atrair a atenção para os pormenores, por vezes deliciosos, da grande maioria dos retratos e quadros animados, mesmo a daqueles que possam não acompanhar com entusiasmo a Pré-História e a História Geral do Cinema. Dá-nos igualmente pistas para constatarmos que o que passava pela cabeça de um cineasta no limiar do Século XIX para o XX não era muito diferente das preocupações de um profissional ou de um amador na actualidade: a questão fulcral de saber onde colocar a câmara, qual o ponto de vista dominante, qual a personagem ou personagens que se destacam ou devem destacar e quais as relações entre os primeiros planos e os planos recuados. No campo da mise en scène, o posicionamento dos actores face aos limites e as vantagens da profundidade de campo, a ilusão do movimento, quer o das pessoas e objectos que passam diante da objectiva, quer o determinado por meios mecânicos e por opções pré-programadas que nos podem colocar num lugar privilegiado que muitas vezes só o Cinema nos permite ocupar, como a proa de um navio em pleno mar alto durante uma borrasca. Em suma, ver “Lumière! A Aventura Continua” constitui a forma mais simples, diria até mais económica, de frequentar um curso de Cinema onde, quem sabe, se podem alinhar os astros para que os felizes contemplados com a visão da sua matéria primordial se decidam a estudar com mais intensidade uma aventura que continua, sim senhor, porque o Cinema enquanto linguagem universal não será derrotado pela estratégia plutocrática daqueles que só olham para ele como um mero negócio. Por último, dir-lhes-ei que na banda sonora musical ouvimos composições de Gabriel Fauré, contemporâneo destas pequenas produções, soberbamente interligadas com o processo sequencial que nos vai revelando a obra filmada dos Irmãos Lumière. Trunfo maior a que junto um outro, a suprema e inconfundível luz que se observa numa grande percentagem das restauradas curtas-metragens, graças ao esplendor da película de nitrato usado na época que, por razões de segurança (era altamente inflamável), veio a ser abandonado a favor do acetato. Mas era, sem dúvida, um suporte que nas mãos de cineastas competentes proporcionava magníficos e cristalinos resultados!

Título original: Lumière, l’aventure continue Realização: Thierry Frémaux Documentário Duração: 104 min. França, 2024

“My Way — A História de Uma Canção” | A piscina, Sinatra, Alvalade e o Sporting a cantar à sua maneira

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O magnífico documentário “My Way — A História de uma Canção” estreou em Portugal numa altura particularmente deliciosa para quem aprecia coincidências: precisamente quando o Sporting decidiu transformar final da Liga Portuguesa numa mistura de ansiedade, liturgia e sofrimento decorativo. E a verdade é que poucas canções explicam tão bem a vaidade, o drama, a fé e o auto-engano como esta. Ainda por cima, em Alvalade, onde “My Way” ganhou uma das suas várias vidas como “O Mundo Sabe Que”, cantada antes dos jogos como se fosse oração civil, acto de amor e terapia colectiva de cachecol ao alto. Deixemos por agora o drama sportinguista.

Na vida há muitas revelações que não mudam a História, mas abalam a mobília emocional de uma pessoa, sobretudo neste caso de um adepto. Porém esta revelação mostrada em “My Way — A História de uma Canção”, de Thierry Teston e Liza Azuelos, que não podem perder nas salas de cinema, será certamente uma delas: a canção mais americana do mundo afinal, nasceu na França, à beira de uma piscina, numa mansão nos arredores de Paris, em 1967. Não em Las Vegas, não entre copos e charutos num camarim de Frank Sinatra, não em Nova Iorque com homens de chapéu a falarem alto. Nasceu com o título de “Comme d’habitude”, escrita e cantada pelo famoso cantor pop da altura, Claude François e musicada pelo compositor Jacques Revaux, antes de Paul Anka lhe pegar, lhe mudar a língua, a postura e a biografia, e a entregar a Sinatra o material ideal para ele fazer aquilo que fazia melhor: transformar uma canção num monumento à sua própria lenda. O documentário de Thierry Teston e Lisa Azuelos parte precisamente desta ironia maravilhosa e trata “My Way” não como um simples êxito, mas como uma criatura pop mutante, uma música com várias vidas, várias máscaras e um talento raro para sobreviver a tudo, até ao excesso de fama.

O grande trunfo do filme é perceber que por detrás da familiaridade da música há uma história muito mais estranha e divertida do que se pensava. Toda a gente acha que sabe o que é “My Way”: Sinatra, orquestra, dramatismo, karaoke de casamentos, funerais e tios emocionados ao jantar, depois de um copo a mais. Mas o documentário mostra que a canção foi ganhando significados completamente diferentes consoante quem a cantava e em que altura do mundo aparecia. Com Sinatra, tornou-se o hino definitivo do homem que olha para os estragos que fez e, com voz grave e arranjo luxuoso, consegue que tudo pareça elegância. Com Nina Simone, mudou de eixo e de alma. Com Sid Vicious dos Sex Pistols, levou uma chapada punk. Com Nina Hagen, ganhou outro peso político com a Queda do Muro de Berlim. Ou seja: a mesma canção foi servindo para a vaidade, para a dor, para a provocação, para a memória, para a história e para o espectáculo. Poucas músicas carregaram tanta coisa sem rebentar pelas costuras.

É isso que faz de “My Way — A História de uma Canção” um documentário tão inteligente, tão divertido e tão culto. Thierry Teston percebeu, como ele próprio admitiu, que estava ali não apenas uma canção, mas uma pequena autobiografia do Ocidente, ou pelo menos da sua vaidade organizada. “My Way” é ao mesmo tempo sublime e um bocadinho ridícula. É comovente e narcísica. É uma obra séria e uma paródia pronta a usar. Aguenta tudo porque tem no centro uma promessa humana muito simples: a de que a vida pode ser narrada de forma mais bonita, mais nobre e mais afinada do que realmente foi.

A narração de Jane Fonda ajuda muito a esse jogo. Dá à canção uma espécie de consciência própria, como se estivéssemos a ouvir a própria música comentar as voltas que a vida lhe deu. E o elenco de participações — de Paul Anka a Janelle Monáe, de Ben Harper a Gabriel Yared, passando pelos Sparks e até Sydney Sweeney — reforça essa ideia de que “My Way” já deixou há muito de pertencer apenas à música. Hoje pertence ao imaginário global, ao comércio da nostalgia, à circulação internacional dos símbolos e àquela estranha indústria que transforma tudo o que toca em património emocional reciclável. Até Sydney Sweeney, que aparece também por associação ao perfume “My Way” da Armani, ajuda a provar que esta canção já não é apenas canção: é marca, atmosfera, pose, memória e reflexo pop de um século inteiro.

E depois voltamos ao Estádio de Alvalade, claro, porque a pop tem esta mania extraordinária de acabar sempre onde menos se espera. Em Lisboa, “My Way” foi reaproveitada como “O Mundo Sabe Que” e tornou-se um dos momentos mais emocionais da liturgia sportinguista. Antes do jogo, o estádio canta aquilo em coro, de cachecóis no ar, como se fosse preciso ouvir a própria voz colectiva para acreditar que ainda há salvação. É um momento belíssimo, exagerado e ligeiramente cómico, como são quase todas as grandes manifestações de fé popular. De repente, a canção deixa de ser o monólogo final de um homem sobre a sua biografia e transforma-se num plural: já não é “fiz tudo à minha maneira”, é “continuamos aqui, doentes por ti, aconteça o que acontecer”. A balada de um ego vira hino comunitário. A pop transforma-se em religião portátil. E o futebol agradece.

O detalhe mais saboroso é o timing. O Sporting anda neste momento a fazer da classificação um género de peça experimental sobre esperança, desilusão e nervos em franja. A equipa complicou a vida e a luta pelos lugares cimeiros tornou-se mais apertada, o que torna ainda mais comovente — e um pouco trágico-cómico — ver Alvalade a cantar “O Mundo Sabe Que” com a solenidade de quem vai conquistar o mundo, quando a tabela sugere que o mundo, para já, está a olhar mais para o lado. Há qualquer coisa de profundamente sportinguista nisto: transformar cada jornada num romance psicológico, cada empate num debate metafísico e cada hipótese matemática numa forma refinada de sofrimento. Quando não pode ganhar com tranquilidade, o Sporting sofre com estilo, de tuxedo e laço. Também isso, convenhamos, é uma forma muito própria de fazer as coisas, com fineza

É precisamente por causa de tudo isto que o documentário funciona tão bem. Porque percebe que certas canções não sobrevivem apesar das contradições, mas graças a elas. “My Way” aguentou Sinatra, Nina Simone, o punk, o kitsch, a política, o karaoke, os funerais, a publicidade, Sydney Sweeney por tabela e até a fé sportinguista em estado coral e às as vezes em queda. Poucas músicas viajaram tanto sem perder a capacidade de parecer inevitáveis em qualquer sítio onde soem. Da piscina de Claude François ao Estádio de Alvalade, esta canção fez um percurso que nenhum argumentista sensato ousaria apresentar sem medo de ser gozado.

No fundo, “My Way — A História de uma Canção” diz-nos uma coisa muito simples: ninguém resiste à tentação de transformar a própria vida numa narrativa maior, mais bonita e mais afinada do que os factos. Sinatra fez isso. O Sporting faz isso. Nós todos fazemos isso. A diferença é que Sinatra tinha uma orquestra, Jane Fonda agora ajuda a explicar a lenda, e em Alvalade há sempre um cachecol pronto para fingir que ainda vai correr tudo bem. E vai mas para o ano. Essa talvez seja a definição mais exacta de fé popular. Ou de futebol. Ou quando as duas coisas se juntam à mesma melodia.

O Verão com Agnès Varda

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Este Verão vai trazer-nos as muitas praias de Agnès, todo o maravilhoso cinema de Agnès Varda (1928-2019), na maior retrospectiva da cineasta levada a cabo em Portugal.

Varda foi uma mulher e uma artista com uma curiosidade sem igual e uma imensa liberdade, precursora da Nouvelle Vague e uma das poucas da sua geração a fazer carreira como realizadora. Prolífica e infatigável, generosa e versátil, visionária, filmava e estava ao mesmo tempo dentro dos seus filmes, e ao longo de seis décadas, com o seu olhar único, fez obras de uma grande originalidade, reinventando o cinema e acabando por se tornar um ícone, cuja obra continua a influenciar novas gerações de cineastas e artistas.

Recebeu vários prémios, entre eles o Louis Delluc e os Cesars, ou nos festivais de Cannes (onde seria também galardoada com uma Palma de Ouro honorária em 2015), Berlim e Locarno, nos European Film Awards e, em 2017, um Óscar à sua carreira.

A sua primeira longa, La Pointe courte (1954), representou, naquele tempo, como a própria Agnès reconheceria, a primeira manifestação de um fenómeno colectivo, de um movimento que, de qualquer forma, teria de aparecer. Uma década mais tarde, e depois de nos ter dados filmes icónicos como Cléo de 5 à 7 (1961), mudou-se, com Jacques Demy, o seu marido, para LA, e aí viveriam vários anos. Enquanto Paris começava a fervilhar com os acontecimentos do Maio de 68, do outro lado do Atlântico, Varda captava, em algumas das suas obras mais marcantes do seu “período americano” como Black Panthers (1968) e Lions Love (… and Lies) (1969), a cultura hippie e a agitação das lutas políticas.

Já de novo em França, dar-nos-ia obras-primas como Sem Eira nem Beira (1985), Os Respigadores e a Respigadora (2000), ou As Praias de Agnès (2008).

Nesta operação conjunta entre a Leopardo Filmes e a Medeia Filmes, veremos a partir de 30 de Julho, e ao longo dos meses de Agosto e Setembro, no cinema Medeia Nimas, 36 filmes de Agnès Varda em novas cópias digitais restauradas: 20 longas-metragens (9 de ficção e 11 documentários), e 16 curtas, entre os seus grandes títulos e várias pérolas reencontradas.

Como diz Scorsese: “Têm (temos] de ver os filmes de Agnès Varda!”

Programação 26.ª ED. ENCONTROS DE CINEMA DE VIANA

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De 4 a 13 de maio, Viana do Castelo acolhe a 26.ª edição dos ENCONTROS / Festival de Cinema de Viana. Este é um espaço de referência com foco exclusivo na pedagogia e formação para o cinema, na investigação e ligação à comunidade educativa e artística. Além da secção competitiva, a edição deste ano inclui um ciclo e homenagem dedicado a João Canijo, conferências, oficinas, encontros profissionais e exposições.

O festival apresenta, este ano, uma programação diversa dividida em cinco eixos estratégicos: Investigação/Reflexão, Literacia Cinematográfica, Competição, Indústria e Cinema e Outras Artes.

Homenagem a João Canijo e ciclo de cinema

Um dos grandes destaques dos ENCONTROS é a homenagem a João Canijo, realizador essencial do cinema português contemporâneo, e o ciclo de oito filmes que percorre a sua obra singular, reveladora da coerência e evolução de um cinema profundamente enraizado na realidade. O tributo inclui a exibição de: Ganhar a Vida; Noite Escura; Sangue do Meu Sangue; É O Amor; Fantasia Lusitana; Fátima; Mal Viver; Viver Mal, permitindo um mergulho profundo na sua visão autoral.

Eixo Investigação e Reflexão: Olhares Frontais e Conferência Internacional

João Trabulo (produtor), Miguel Ribeiro (realizador) e João Mariano (fotógrafo) vão ajudar-nos a pensar o que fazemos com as imagens que realizamos. No âmbito da secção Olhares Frontais (6 a 8 de maio), a programação incidirá no tema “Tempos de reflexão, em tempos distintos”. Este ano, a escola de cinema convidada é a Hellenic Cinema and Television School Stavrakos (HCTSS) e mantém-se a colaboração com a EFA – European Film Academy com uma seleção das melhores curtas-metragens europeias. Ainda nos Olhares Frontais terá lugar a apresentação dos filmes candidatos aos prémios PrimeirOlhar (programação).

A Conferência Internacional de Cinema de Viana (6 a 8 de maio) reunirá académicos e profissionais para debater a interseção entre o cinema, a educação e a memória. O programa inclui a palestra inaugural “Os Territórios da Fronteira”; uma exposição de fotografias “Made In Portugal” de alunos da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESE-IPVC); uma masterclass/aula pública intitulada “Ancient Voices, Future Images” com o realizador Tommaso Santambrogio; o seminário de discussão de projetos “Work In Progress”, coordenado por Paulo Cunha e com a apresentação dos projetos de Gabriel Luna e Rúben Sevivas; e ainda três mesas redondas; o Laboratório de Práticas de Cinema na Escola e a presença especial do Gabinete de apoio do ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual para divulgar apoios a projetos fílmicos e audiovisuais. Esta Conferência é coordenada por Daniel Maciel, organizada pela AO NORTE com a ESSE-IPVC.

Nos dias 7 e 8 de maio acontece o curso “Fora de Campo” na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo (ESEVC), sob o tema Cinema e Cidade. Este é um encontro dedicado à investigação e à prática criativa em cinema, ciências sociais, artes e comunicação, coordenado por José da Silva Ribeiro e Alfonso Palazón. Conta com a participação de Jorge Campos, Marcos Zaván e Rita Bastos.

De 4 a 13 de maio terá lugar o módulo prático “Autobiografias: Antropologia, Cinema e Educação”, organizado em colaboração com a ESE-IPVC, a Universidade Rey Juan Carlos, de Madrid, e a Universidade Federal de Pernambuco, do Brasil. Mais informações neste link.

Eixo Literacia Cinematográfica – Escola e Cinema

Desde a sua génese, a vertente pedagógica assume um papel central nos ENCONTROS através do programa Escola no Cinema, que integra sessões para alunos do pré-escolar até ao ensino universitário (de 4 a 13 de maio, no Teatro Municipal Sá de Miranda e Cinema Verde Viana); oficinas nas escolas de 4 a 8 de maio (Cinema de Animação com as realizadoras Carolina Bonzinho e Laura Equi; e “A história do cinema contada em sequências” com o realizador e investigador Filipe M. Guerra; e ainda a oficina “As Imagens Hoje”, orientada por Miguel Ribeiro a 8 de maio).

Entre os dias 4 e 7; 11 e 13 de maio, o Festival inclui apresentação dos vídeos realizados ao longo do ano letivo por alunos de 18 escolas do concelho de Viana do Castelo – na secção Trabalhos de Casa. Histórias na Praça (5 a 7 de maio, na Praça da República e ruas adjacentes) propõe a alunos e professores de vários ciclos de ensino desenvolver e participar no processo criativo de um filme (desde a preparação à rodagem), tirando partido dos temas do plano curricular. Seis filmes vão ser coordenados e orientados pelo realizador Pedro Sena Nunes com as respetivas turmas selecionadas.

Nos dias 4, 5 e 6 de maio, o Festival recebe o SEM FRONTEIRA, um projeto luso-galaico de educação para o cinema promovido pela Associação AO NORTE, em parceria com a Associação OLLOBOI, sediada em Boiro, na Galiza, e com as escolas EB 2,3 Frei Bartolomeu dos Mártires e IES A Cachada.

Pela primeira vez, os ENCONTROS de Cinema de Viana, em parceria com a ARTMATRIZ e a colaboração do Teatro do Noroeste/CDV, promovem ainda o CINEJOGO, sessão de jogos de tabuleiro inspirados no Cinema, a 6 de maio na sala experimental do TMSM.

Plano Competitivo

O Festival de Cinema de Viana mantém a aposta no futuro do setor com duas secções competitivas: Prémio PrimeirOlhar (8 a 10 de maio), focado no cinema documental com a exibição e atribuição dos melhores filmes produzidos por alunos de escolas de cinema, de audiovisuais e de comunicação, ou por participantes em cursos promovidos por outras entidades de Portugal, de outros países de língua portuguesa e da Galiza.

A 11 de maio, o TMSM acolhe ainda o Ação.12! Festival Luso-Galaico de Vídeo Escolar destinado a promover a cultura audiovisual em contexto escolar (do ensino básico e secundário).

Encontros e Indústria

Os Encontros Pro focam-se na partilha de conhecimento e na construção de soluções sustentáveis para o setor com dois momentos cruciais: o Fórum Cinema e Escola — Práticas pedagógicas em Portugal e na Galiza (8 de maio, na ESEVC) é acreditado pelo Centro de Formação Contínua de Viana do Castelo como Ação de Curta Duração para docentes; e o Encontro Luso-Galaico de Cineclubes (10 de maio, Sala Experimental do TMSM).

Cinema e Outras Artes

A 8 de maio, na sede da AO NORTE, será lançada o 30.º livro da coleção O Filme da Minha Vida, dirigido pelo artista plástico Tiago Manuel. Na 26.ª edição dos ENCONTROS, Tiago Manuel e Jeanne Waltz, a autora, apresentam Fim de Agosto no Hotel Ozono, criado a partir do filme homónimo, e inauguram a exposição com as ilustrações da publicação.

Ainda a partir deste filme checo, a Galeria da Fundação Caixa Agrícola do Noroeste, inaugura, a 5 de maio, a exposição “Depois do Fim”, com curadoria de Filipe Rodrigues. Esta mostra estabelece um diálogo visual entre cinema e artes plásticas a partir do filme realizado em 1966 por Jan Schmidt.

Os ENCONTROS / Festival de Cinema de Viana são organizados pela Associação AO NORTE em parceria com a Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Website: http://www.encontrosdecinema.pt

Mais Forte Que Eu (I Swear) – trailer

A inspiradora e extraordinária história de vida de John Davidson, um notável ativista da Síndrome de Tourette. O filme de Kirk Jones é emocionalmente envolvente, divertido e cativante. Passada na Grã-Bretanha dos anos 80, a história acompanha a adolescência conturbada e o início da vida adulta deste rapaz, explorando esta condição pouco conhecida e frequentemente mal compreendida, bem como as suas tentativas de levar uma vida “normal” contra todas as probabilidades.

House of the Dragon T3 – teaser

Baseada em “Sangue e Fogo”, de George R.R. Martin, a série, passada 200 anos antes dos acontecimentos de “A Guerra dos Tronos”, conta a história da Casa Targaryen.

A temporada de oito episódios terá novos episódios exibidos semanalmente, culminando no episódio final, a 10 de agosto.

Jackass: Último Shot de Loucura – trailer

Johnny Knoxville e o grupo regressam ao grande ecrã para uma última e inesquecível aventura. Com novas acrobacias e momentos de pura loucura, mas também com os maiores êxitos e gargalhadas dos últimos 25 anos, Jackass: Último Shot de Loucura celebra de forma irreverente o espírito de camaradagem e o humor sem filtros que conquistaram gerações. Reúna os amigos, levante o copo e prepare-se para um evento cinematográfico único, que promete ser a última vez que vai rir assim numa sala de cinema.