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A Múmia de Lee Cronin

A partir de uma das figuras mais emblemáticas do terror clássico, o realizador Lee Cronin reinterpreta a múmia para novos públicos, aproximando-a do território das possessões, na claustrofobia do espaço familiar limitado. Aqui, o grande alicerce é o gore, explorado sem subtilezas nem lamentos. O grotesco intensifica a experiência, é certo, mas, ainda assim, pese a vontade de reimaginar um monstro “tradicional” e dar-lhe novas camadas geográficas (do Egipto aos Estados Unidos) e emocionais (a partir do luto e da culpa), há demasiadas fórmulas cansadas e pouco de memorável neste «A Múmia de Lee Cronin».

A narrativa começa no Egipto, onde o jornalista americano Charlie (Jack Reynor) vive com a sua mulher e dois filhos pequenos, incluindo a pequena Katie (Emily Mitchell). Katie desaparece, levada por uma figura misteriosa, e o caso permanece sem resolução durante oito anos, enquanto a família regressa aos Estados Unidos. Até que, sem ninguém esperar, Katie (já numa versão interpretada por Natalie Grace) é encontrada viva dentro de um sarcófago antigo, entre os destroços da queda de um avião, envolta em pergaminhos e de aparência “mumificada”, num estado que oscila entre o catatónico e a reação violenta. A ida para a casa da família, para uma recuperação gradual, com comportamentos cada vez mais perturbadores, revela que algo sobrenatural se passa com Katie.

«A Múmia de Lee Cronin» aproxima o universo das múmias do antigo Egipto do terror das possessões em cenário doméstico (de «O Exorcista» ao «Evil Dead», franquia por onde já havia passado Lee Cronin). No entanto, é quando ambos os universos se sobrepõem, quase na totalidade, que a narrativa se esvazia e recai em lugares-comuns.

A visceralidade e os efeitos de som, acompanhados de um uso dinâmico dos grandes planos e planos de pormenor, geram entretenimento e algumas sequências de destaque (incluindo a caricata cena de cuidados de beleza a uma múmia maligna), mas a sensação geral é de que o filme fica aquém do potencial a que se propôs. Sensação essa que sai reforçada com um final morno.

Não obstante as suas falhas, «A Múmia de Lee Cronin» é um dos incontornáveis de terror do ano, sobretudo para o público fiel de abordagens mais gore. Lee Cronin, que assina também o argumento além da realização, continua a demonstrar o seu engenho no género do terror. Fica apenas a dúvida sobre se será já o suficiente em termos de legado para justificar a opção de associar o título do filme ao nome próprio (a la John Carpenter), sobretudo junto do público em geral.

Título original: «Lee Cronin’s The Mummy»
Realizador: Lee Cronin
Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy
Origem: Irlanda, Estados Unidos da América
Duração: 134 minutos
Ano: 2026

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