A primeira ‘aberração’ que vimos num filme de David Lynch é o homem elefante, Joseph Merrick, um individuo deformado que foi exibido num circo de horrores em Londres e encarado como uma curiosidade clínica, na transição do século XIX para o século XX. Lynch observa a sociedade vitoriana da época e a curiosidade doentia que este individuo despertava. Interessou-lhe dramatizar este caso através de uma reconstituição de época justa e quase biográfica. Sobretudo, com essa observação rigorosa, procurou mostrar a anormalidade que se expressa nas pessoas que são aceites como normais. É a segunda longa-metragem do realizador e foi nomeada para oito Óscares, algo estranho para o cinema a que nos habitou.

