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NO CÉU TUDO É PERFEITO

Se pensa que chegou o momento de apresentar o seu mais-que-tudo à família mas ainda não ganhou co
ragem suficiente para enfrentar todos os previsíveis constrangimentos que uma tal reunião promete, en
tão «Eraserhead» é para si. Depois de ver este filme é garantido que, o que quer que corra mal, nunca será tão mau como neste pesadelo lynchiano. A sua família afinal até é bastante… normal! No fundo, é tudo uma questão de perspectiva, e, apesar de ser o seu primeiro filme, David Lynch deixou bem vincada qual era a sua em «Eraserhead». A surpreendente afinidade que ele revela entre a realidade e o sonho, a natureza bizarra do espaço-tempo, o humor negro, o lado grotesco do quotidiano e, claro, a beleza surrealista das imagens são elementos que veremos replicados e aperfeiçoados ao longo de toda a sua carreira.

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Catarina Maia
Catarina Maia
Catarina Maia é crítica de cinema, editora de conteúdos e investigadora independente. Escreve regularmente para a revista METROPOLIS desde 2013, entre críticas, entrevistas e ensaios sobre cinema contemporâneo, cultura visual e cinema de autor. Licenciada em Estudos Artísticos e pós-graduada em Estudos Fílmicos e da Imagem pela Universidade de Coimbra, cruza frequentemente o pensamento cinematográfico com questões sociais, éticas, ecológicas e urbanas. Paralelamente, desenvolve trabalho na área da comunicação cultural e coordena o projeto cívico de cariz ambiental Jardim Monte Formoso, ligado à biodiversidade e ao espaço público. Interessa-se particularmente pelas relações entre cinema, ética, memória e justiça social. A frase “Não gastes tudo em freiras”, do filme As Bodas de Deus (1998), de João César Monteiro, permanece como mote pessoal, entre a ironia, a ternura e a desobediência.

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