Onde poderiam encontrar-se Dorothy, de «O Feiticeiro de Oz», e Elvis Presley, sem dever nada à lógica das coisas? Num filme de David Lynch, que veio a ser a sua abrasadora Palma de Ouro. Laura Dern e Nicolas Cage personificam esses díspares universos aqui permeáveis um ao outro, através de um amor que arde, e deixa a chama bem visível… Road movie tão violento quanto fabulístico, «Um Coração Selvagem» é uma volúpia de excessos visuais e sonoros, passível de ofender a alma mais santinha. Porque Lynch nunca escolheu os bons sonhos. Os outros, sombrios, são estética e dramaticamente mais fascinantes.