“Lepanto” é mais uma bela surpresa da Gradiva BD. O álbum integra a série As Grandes Batalhas Navais. O livro é assinado por Jean-Yves Delitte (pintor oficial da Marinha e Membro titular da Academia de Artes e Ciências do Mar). Este autor sempre demonstrou a sua paixão pelo mar e pela banda-desenhada apresentando todo o seu talento ao criar verdadeiros frescos marítimos em histórias de quadrinhos. Entre as suas obras, destacamos a tetralogia U-boot e Black Crow [ambos editados em Portugal pela Asa BD], dentro desta magnífica série também podemos encontrar “Jutlândia” e “Trafalgar”. O desenho de “Lepanto” pertenceu ao italiano Federico Nardo, que desenhou Doctor Strange em “Young Doctor Strange”, para a Marvel Made in Italy. A cor é da autoria do espanhol Roberto Burgazzoli. O livro teve a tradução do Comandante Ribeiro Cartaxo, um pormenor muito importante e que não deve ser descurado, um dos predicados desta obra são precisamente os belíssimos pormenores em torno da linguagem marítima. É louvável que os autores não tenham simplificado estes detalhes num sinal de respeito aos amantes das artes navais e simultaneamente um acrescento de valor e conhecimento para os leitores menos familiarizados com estes conceitos técnicos da vida nos mares.

Esta série da Gradiva BD apresenta as grandes batalhas navais da História da humanidade na perspetiva de personagens ficcionais embarcadas nessas aventuras. Aliando o relato ficcional aos factos baseados numa rigorosa investigação documental. Apoiando-se nos recursos iconográficos do Museu Nacional da Marinha francesa e numa pesquisa aprofundada – veja-se o reflexo na qualidade gráfica e síntese histórica –, o álbum também está valorizado através do caderno didático no final do livro.

A génese da batalha de Lepanto nasce no Chipre, em Setembro de 1571, no culminar de um trágico cerco de 200 mil Otomanos no terreno rochoso da ilha. A praça era controlada pelos Venezianos e o governador veneziano negoceia a rendição das suas tropas. Ao contrário das normas da época, após a abertura das portas da cidade, os termos da rendição não são cumpridos. Os otomanos massacram sem dó nem piedade as tropas e a população veneziana. O governador veneziano é alvo de um ato de crueldade indiscritível. Aqueles que conseguiram escapar ao terror são tornados escravos e a maioria acaba como remadores agrilhoados nas embarcações do Império Otomano.

O massacre de Famagusta corre os reinos cristãos da Europa, provocando choque e consternação, mas faz esfregar as mãos do Vaticano ao abrir as portas para a última grande cruzada, a guerra era inevitável. A cristandade consegue congregar grande parte dos reinos europeus, a Liga Cristã foi liderada pelo Infante D. João de Áustria (Portugal e França não participaram). É reunida uma majestosa armada que se prepara para confrontar a temível armada Otomana formada por 270 embarcações e 50.000 guerreiros.

As tropas Otomanas são lideradas pelo Sultão Selim, considerado uma criatura alcoólica e volúvel, responsável pelo ataque à Ilha de Chipre, algo que, segundo os historiadores, era desnecessário. A ilha era um posto comercial dos venezianos que mantinham boas relações com os Otomanos. A cristandade demorou sete séculos (720 a 1492) a libertar a Europa da presença moura, o perigo dos Otomanos alastrarem a sua presença (e fé) no Mediterrâneo levou à união dos reinos europeus após o chamamento do Papa Pio V, uma figura maquiavélica.

O confronto entre as forças opostas dá-se em Lepanto (a antiga cidade grega de Nafpaktos), uma praça-forte que guardava a entrada ocidental no Golfo de Corinto. Os acontecimentos deste livro têm alguns palcos de ação: observamos a história na perspetiva dos venezianos agrilhoados numa embarcação otomana; acompanhamos companheiros de diferentes paragens que se juntam para o combate; e também temos o jogo de bastidores do poder: a cristandade liderada pelo Papa Pio V e os Otomanos liderados pelo Sultão que tinha conselheiros cristãos (um dos mais famosos era um corsário de origem calabresa).

Em “Lepanto” a Gradiva BD, mais uma vez, faz as maravilhas dos leitores numa série que conjugou os ritmos da História com a arte da banda-desenhada. Uma edição na linha do que já fazem atualmente com a outra série da Gradiva BD, “Eles Fizeram História”, é um caso de serviço público com um precioso valor didático.

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