A Filmin estreia em exclusivo Incógnito no próximo dia 29 de janeiro, depois da sua apresentação no Festival de abertura do Queer Festival. Trata-se da primeira longa-metragem do realizador norte-americano Carmen Emmi, distinguida com o Prémio Especial do Júri para Melhor Elenco no Festival de Sundance 2025. Este thriller policial de forte carga psicológica conta com interpretações marcantes de Tom Blyth (Hunger Games, People We Meet on Vacation) e Russell Tovey (Years & Years).
Siracusa, Estados Unidos, 1997. Lucas é um jovem agente da polícia que trabalha como infiltrado em operações destinadas a atrair e prender homens homossexuais em espaços públicos. Quando conhece Andrew, um dos seus alvos, a sua vida começa a desmoronar-se, obrigando-o a confrontar o desejo, a culpa e o medo num contexto de crescente repressão.
A origem do filme remonta a 2016, numa altura em que Carmen Emmi começava a viver abertamente a sua sexualidade, enquanto o seu irmão se preparava para ingressar na polícia. Inspirei-me num caso ocorrido em Long Beach, Califórnia, onde agentes atraíam homens num WC de um parque para depois os deter. Li o artigo dois anos depois de o caso ter acontecido, pouco tempo após ter saído do armário. Sentimentos de ansiedade que pensava ter superado começaram a regressar, explica o realizador.
Nos anos 90, viver a identidade sexual em segredo era um estado permanente de perigo para as pessoas LGTBIQ+, particularmente quando esse medo era reforçado pela autoridade, pela violência institucional e por um rígido sentido de dever. Emmi revisita essa realidade regressando à década em que cresceu, em Siracusa, onde aprendeu a reprimir quem realmente era. Estive em Long Beach e descobri que, em 2019, ainda havia agentes do condado a montar armadilhas a homens num cinema, recorda.
A actualidade do tema é inegável: relatórios recentes revelam que o Departamento de Polícia da Amtrak mantém sob vigilância um ponto de encontro na Penn Station desde junho, resultando em mais de 200 detenções.
Um passado que ecoa no presente
Tom Blyth destaca a intensidade emocional da personagem que interpreta: Lucas vive num estado constante de ansiedade e paranoia. A tensão era tão grande que levava isso comigo para casa. À noite, não conseguia dormir, revivia os seus pensamentos e momentos do dia em que me sentia paranóico. Isso infiltrava-se na minha vida pessoal.
Já Russell Tovey, conhecido pelo seu activismo LGTBIQ+, recorda ter assumido publicamente a sua orientação sexual aos 20 anos, apesar das resistências da indústria, e sublinha a relevância do filme: Embora se passe nos anos 90, o filme é urgentemente actual. Pensávamos que estávamos a fazer um filme de época, mas é impressionante como se tornou tão contemporâneo. Para o actor, obras como Incógnito são hoje mais importantes do que nunca, num contexto em que políticas anti-LGTBIQ+ promovidas por Donald Trump e outros políticos de extrema-direita chegaram mesmo ao Supremo Tribunal do Reino Unido.

