Danado da vida com a notícia de que vai ganhar uma irmãzinha, Kun, um miúdo de 4 anos dotado da habilidade de viajar no tempo, promete animar a streaminguesfera com uma dança atípica para o mais prestigiado evento cinéfilo do Velho Mundo: ele é o astro de «Mirai», um dos 20 filmes selecionados para a Quinzena de Cineastas de 2018, que, desde então, se consagrou como um pilar da fantasia. Seu atual destino: a Filmin.pt. A plataforma abriu espaço para a longa-metragem neste momento em que Hosoda galga espaço na Oscar season com o épico animado «Scarlet».
Encontrar um legítimo exemplar da japanimation na Filmin é um sinal de novos tempos para um polo digital de celebração da autoralidade. Qualquer diretor em início de carreira se beslica por uma vaga na Quinzena: criada em 1969, a secção comporta maioritariamente premiações paralelas (prémios de sindicatos de técnicos cinematográficos, de cineclubes, de críticos), porém é organizada a partir de um critério de seleção tão rígido que concede prestígio imediato (e a atenção do mercado exibidor) aos seus participantes. Hosoda ganhou notoriedade há uma década, depois de debitar o fenómeno popular «O Rapaz e o Monstro», que também se encontra no streaming luso, assim como «Belle» (2021). Ele agora alcança um novo patamar profissional – leia-se status de autor.
«Mirai», estruturado como um olhar filosófico sobre a infância, atiçou as distribuidoras ao oferecer a plateias de crianças um enredo originalíssimo.

