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A VIRGEM VERMELHA

«A Virgem Vermelha» é uma das grandes produções espanholas de 2024, teve a sua estreia mundial no Festival de Cinema de San Sebastian. O filme foi nomeado para nove prémios Goya, os principais galardões da Academia de Cinema espanhola. 

A história é baseada em factos (dolorosamente) verídicos sobre a escritora prodígio Hildegart Rodríguez. A acção desenrola-se nos anos 1930 na antecâmara da Guerra Civil Espanhola que levou ao poder o ditador Franco. O enredo relata a relação de Aurora Rodríguez (Najwa Nimri) com a filha Hildegart Rodríguez (Alba Planas). 

Aurora educou a sua filha como uma mulher perfeita, sem falhas e capaz de mudar o mundo com a sua visão através de uma educação espartana, segundo os princípios da filosofia Eugenista. Aurora fez tudo para melhorar a competitividade, a resistência e a educação da filha. Aos oito anos a criança falava quatro línguas e aos 17 anos Hildegart era a advogada mais jovem de Espanha. A mãe estava obcecada no aperfeiçoamento da espécie humana e da sociedade. 

A monarquia cai em 1931 e começa um turbulento período político-social. Aurora vê uma oportunidade perfeita de começar a publicar os ensaios da filha, arrojados para a época a nível do feminismo e da reforma social,  Hildegart considerava que a mulher espanhola tinha 20 séculos de atraso. 

Mas a ordem das ideias de Aurora começa a ruir quando Hildegart descobre o amor e apaixona-se pela primeira vez. A mãe controladora e altamente possessiva entra em rota de confronto quando a filha ameaça emancipar-se. 

O filme foi muito bem escrito por Eduard Sola e Clara Roquet, os diálogos são pepitas de ouro sobre o empoderamento da mulher mas também a força do amor (se preferirem, o verdadeiro amor) e o seu papel no mundo real. 

A performance de Najwa Nimri provoca um arrepio na espinha ao interpretar um verdadeiro “cão de guarda” com uma verve intelectual que vê a filha como um objecto que pode ser esculpido, mas também eliminado a seu belo prazer. Também apreciamos o desempenho de Alba Planas, é um desempenho de nuances como a inocência, a descoberta do amor e a libertação das amarras da mãe. 

A produção espanhola e a realização de Paula Ortiz teve sensibilidade nos temas abordados, boa recriação de época e uma boa direção de actores. É uma história profundamente trágica e simultaneamente deixa-nos enriquecidos ao saber da existência de uma pensadora prodigiosa como Hildegart em 1930…

Título original: La virgen roja Título internacional: The Red Virgin Realização: Paula Ortiz Elenco: Najwa Nimri, Alba Planas, Aixa Villagrán, Patrick Criado Duração: 114 min. Espanha/EUA, 2024

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