Última Edição

Novidades

Artigos Relacionados

F1

«F1» é um filme que merece ser visto num grande ecrã – quanto maior, melhor – visionado em IMAX é uma experiência incrível.

Em 2025, podemos afirmar que não há muitos realizadores a filmarem como Joseph Kosinski. Depois de «Top Gun: Maverick», onde ele voava bem alto, Kosinski continua a voar, agora, a poucos centímetros do chão. Ele continua a toda a velocidade, deixando a sua mestria técnica realizar uma proeza visual.

O centro narrativo de «F1» pertence a Brad Pitt no papel de um “gunslinger” das quatro rodas que persegue a paixão e a emoção das corridas de prego a fundo. Brad Pitt é um show!

O espantoso prólogo desenrola-se nas 24 Horas de Daytona e abre o apetite para quase três horas de cinema que passam num piscar de olhos. O filme combina a alta voltagem das pistas de corrida com o drama de um piloto no crepúsculo dos seus dias. Em jovem, tinha tudo para ser o “next big thing” quando competia na F1 nos anos 1990 ao lado de lendas como Prost, Mansell e Senna. Um desastre aparatoso no Grande Prémio de Espanha ia-lhe custando a vida e enterrou a sua carreira como piloto de Fórmula 1. Depois de casamentos e do vício do jogo, ele voltou a competir no desporto automóvel que coloca Sonny Hayes (Brad Pitt) na rota da F1, graças ao seu antigo colega. Ruben (interpretação seguríssima de Javier Bardem) bate à porta desta nómada das corridas com uma proposta irrecusável.

O drama de «F1» cruza-se em cenas de pura adrenalina nas pistas e no drama fora delas. Além da idade de Sonny Hayes, a relação com o jovem e promissor piloto Joshua Pearce (Damson Idris) alimenta a trama do filme no choque de egos. É sobretudo a experiência de alguém que viveu (e correu) versus um jovem arrogante que é influenciado pelas redes sociais e o mediatismo do desporto, perdendo o foco do que realmente interessa: competir com e para a equipa em vez de pensar em si mesmo. É curioso este processo de crescimento de Pearce que se faz ao longo da narrativa, que contrasta com o processo de envelhecimento e a experiência de Hayes. Ele procura algo que não se traduz por palavras, fama ou dinheiro, mas na emoção do momento que dá lugar à melhor sequência do filme na recta final (e algumas curvas) desta épica obra. Há ainda mais duas subtramas, uma relação romântica com Kate, a engenheira da equipa que está bem interpretada com qualidade, e a gema irlandesa de Kerry Condon que formou uma bela parelha com Pitt numa relação natural e sem perder a identidade da personagem. E ainda existe a subtrama dos bastidores do controlo da equipa de Fórmula 1 liderada por Ruben, que está dividido entre a aposta que fez com o seu velho amigo Sonny Hayes e a responsabilidade perante o conselho de administração. O actor Tobias Menzies é o antagonista na história num papel demasiado type casting e sem surpresas. Há papéis menores, mas são muito estereotipados, veja-se o chefe da equipa (Kim Bodnia) e a mãe de Pearce, interpretada por Sarah Niles, que mesmo assim, dá o ar da sua graça.

O filme também tem uma luta interna em ser realmente um filme no ponto de vista narrativo e um postal ilustrado da F1. A interação com os astros do circuito F1 é apenas um cameo, os melhores momentos ficam sempre para os carros em pista. O filme também peca demasiadamente na locução das duas estrelas do comentário F1, Martin Brundle e David Croft. Eles são os comentadores oficiais do circuito, além da Sky Sports (em Inglaterra), eles fornecem o comentário em língua inglesa para muitos países do mundo. Eles são os melhores e imbatíveis na sua profissão, por exemplo, o comentário da ESPN/ABC (nos EUA) é deles. Brundle e Croft também são as estrelas deste filme, são narradores da acção dentro de pista, o que retira aquele lado cinematográfico onde as cenas podiam – e deviam – respirar livremente e apetece mesmo “desligar” os seus comentários de narradores activos. 

Retirando esse handicap, «F1» vai ser um êxito estrondoso, pelo menos deixa essa sensação de emoção imediata quando vemos o filme que é bem mais emocionante do que a actual Fórmula 1. Um circo que funciona como um Golias do marketing e do festival global nos vários continentes por onde passa, mas em termos desportivos é uma procissão que dura hora e meia e onde duas ou três equipas lutam pela vitória. Actualmente as corridas de F1 – salvo raras excepções – são um soporífero e o filme de Joseph Kosinski é o inverso, é ritmo, é adrenalina, um olhar dos bastidores, das lutas internas na pista e o lado corporativo. É um trajeto de alguém rotulado como um “acabado” que prova que a experiência da vida vale ouro. A genética do protagonista é muito idêntica ao modelo do herói de «Top Gun: Maverick» interpretado por Tom Cruise.

«F1» é um filme marcante graças à visão de Joseph Kosinski e a um Brad Pitt em ponto rebuçado, é igualmente um triunfo para o espectador – o principal vencedor deste filme – a audiência é colocada no centro da acção e está dentro do cockpit de um grande espectáculo.

Título original: F1: The Movie Realização: Joseph Kosinski Elenco: Brad Pitt, Kerry Condon, Javier Bardem, Damson Idris, Tobias Menzies Duração: 155 min. EUA, 2025

Fotos (© 2025 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved.)

Artigo anterior
Próximo artigo

Também Poderá Gostar de