Nada grita “série reconfortante para ver num domingo à tarde” como Owen Wilson a tentar reencontrar o sentido da vida com um taco de golfe na mão. «Stick» é a nova comédia dramática do streaming Apple TV+.
Numa altura em que o mundo das séries insiste no conforto narrativo e na reciclagem de fórmulas seguras, «Stick», da Apple TV+, apresenta-se como mais uma variação de um enredo sobre redenção tardia. A série conta a história de Pryce Cahill (Owen Wilson), um ex-jogador de golfe desiludido com a vida e com o passado, que encontra num jovem talento, Santi (Peter Dager), uma última hipótese de reescrever a própria história. Apesar de cair numa certa previsibilidade, «Stick» parece fazê-lo (e aceitá-lo) com uma tranquilidade quase desconcertante.
«Stick» não pretende reinventar a televisão nem surpreender a cada episódio, e talvez resida aí a sua maior virtude. É uma série que joga pelo seguro, sim, mas fá-lo com intenção e com um toque humano que a torna acessível e, em alguns momentos, até tocante. Sem grandes pretensões, oferece uma narrativa sólida sobre fracasso, resiliência e segundas oportunidades – temas universais que, quando bem tratados, raramente saem de moda.
A história desenrola-se a partir do reencontro de Pryce com o mundo do golfe, quando se cruza com Santi, que carrega também as suas próprias inseguranças. O que começa por ser uma relação de conveniência evolui gradualmente para uma parceria marcada por fragilidades, aprendizagem mútua e momentos de ligação. A série estrutura-se em torno deste eixo central, apostando menos na intriga e mais na construção do quotidiano e das pequenas vitórias emocionais.

O tom da série oscila entre o humor subtil e o drama contido, sem nunca resvalar para a caricatura nem para o melodrama. Há um equilíbrio entre os dois registos, embora se note uma maior segurança nas cenas mais introspetivas, onde o argumento parece mais à vontade a explorar o silêncio, a hesitação e o não-dito. O humor, ainda que presente, é discreto, quase sempre ancorado nas fragilidades das personagens e não na gargalhada fácil.
Embora siga de perto a fórmula mentor frustrado e talento promissor, «Stick» tenta, ainda que timidamente, encontrar a sua própria voz dentro dessa estrutura. A relação entre Pryce e Santi não é apenas funcional; há nela uma tentativa real de construir empatia sem paternalismo e de mostrar que ambos têm algo a aprender, cada um à sua maneira. No entanto, a série raramente desafia o molde em que se insere. Os conflitos surgem nos momentos esperados, resolvem-se com relativa facilidade e nunca colocam verdadeiramente em causa a trajetória emocional das personagens.
No final de contas, «Stick» é uma série modesta, mas franca; e essa honestidade vale mais do que aparenta. Não vem agitar o panorama televisivo, nem tem ambições de grandeza narrativa, mas cumpre aquilo a que se propõe: contar, com humanidade e contenção, uma história de falhanço e redenção num mundo demasiado habituado ao ruído. Para quem procura uma série com alma, ainda que sem faísca, este é um pequeno refúgio emocional que, apesar da previsibilidade, sabe onde quer chegar – e fá-lo com uma leveza que não deve ser subestimada.
O elenco conta ainda com nomes como Marc Maron, Judy Greer, Timothy Olyphant, Mariana Treviño e Lilli Kay.

