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Stepan Nercessian, um ator com o tamanho do Brasil

Rodrigo Fonseca, Crítico de Cinema

Oxalá chegue aos palcos de Lisboa… e de todo o Portugal… o espetáculo teatral “Chatô e os Diários Associados – 100 Anos de Paixão”, é um musical que hoje contagia o Teatro Claro Mais Rio de Janeiro, em Copacabana, com um titã do cinema brasileiro no papel título. Stepan Nercessian é um ator com o tamanho do Brasil no seu simbolismo de alegria e de resiliência. O talento desse moço é igualmente GG. No audiovisual, Stepan é figura cativa desde 1969, data da sua estreia, num arranque já em posto de protagonista, à frente do filme de culto «Marcelo Zona Sul», dirigido por Xavier de Oliveira. Dali, o James Dean de Goiás atravessou toda a década de 1970 a participar defilmes míticos, como «Rainha Diaba» (1974) e «A Gargalhada Final» (1979), tendo encarnado o Querô de Plínio Marcos (1935-1999) no thriller «Barra Pesada» (1977), dirigido por Reginaldo Faria.


Fez muita coisa expressiva na TV nas décadas seguintes. Muitas delas podem ser encontradas no Globoplay. Em 2007, brilhou no écran do Festival de Brasília como um dançarino pé-de-valsa em «Chega de Saudade». A partir dos anos 2010, virou o divo do diretor Andrucha Waddington, que o transformou no comunicador Abelardo Barbosa do filme «Chacrinha: O Velho Guerreiro» (2018) e no Doutor Samuel da série «Sob Pressão». Paralelamente, Stepan ainda se firmou como escritor, ao publicar dois bons livros: “Garimpo de Almas” (editora Tordesilhas) e “Guia Prático para Inadimplentes e Negativados” (editora Albatroz). A sua escrita é um primor.


Mas onde ficam as artes cénicas nesse seu périplo artístico? A resposta Stepan entrega na sua calorosa interpretação em “Chatô e os Diários Associados – 100 Anos de Paixão”, um texto de Fernando Morais e Eduardo Bakr.


Na base da dramaturgia, aparece a biografia “Chatô – O Rei do Brasil”, best-seller escrito pelo supracitado Fernando. Tadeu Aguiar assina a direção geral do espetáculo, produzido pela atriz Naura Schneider, que aborda a trajetória profissional de Assis Chateaubriand (1892-1968), fundador do império mediático que transformou a imprensa brasileira. Produzido pela Voglia Produções Artísticas, o espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras. É parte do Programa Petrobras Cultural.


O elenco inclui Marcelo Alvim como o aspirante a jornalista Fabiano; Aline Serra, como a também repórter Juliana; e Sylvia Massari como Dona Janete, secretária do Midas das comunicações. Stepan, nosso Chatô, merecia um documentário para expressar seu olhar de mundo, fazer suas digressões divertidas sobre os enguiços do Brasil e brilhar.


Saudade da sua parceria com Nelson Freitas no programa «Retiro O Que Eu Disse», na web.

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