Depois de John Williams, Don Davis e Michael Giacchino, o universo musical de «Parque Jurássico» conta agora com o nome de Alexandre Desplat, carismático compositor francês, vencedor de dois Óscares da Academia por «Grand Budapest Hotel» e «A Forma da Água». É a segunda colaboração do compositor com o realizador Gareth Edwards depois de em 2014 ter assinado a banda sonora de «Godzilla».
Desplat compõe para uma orquestra de 105 instrumentistas e um coro de 60 elementos, numa partitura com alusões ao exótico (marimba, shakuhachi, percussão) e que inclui, aqui e ali, citações dos dois mais representativos temas de Williams para o primeiro filme da saga, «Parque Jurássico» (1993). O primeiro é o magnífico Theme from Jurassic Park, uma nobre melodia conotada com a beleza e magnificência dos dinossauros (citada na BSO nas faixas Dino Spectacle e Sailing Away). O segundo tema, não menos extraordinário, é uma fanfarra que exprime o conceito de aventura e grandiosidade associados ao parque em si (escute-se a partir do minuto 4:25 de Natural History Museum). Desplat cria também o seu próprio tema primacial para Jurassic World tocado pelasecção das cordas da orquestra nos primeiros instantes de Natural History Museum. Esta melodia é explorada com frequência pelo compositor ao longo do filme embora quase sempre de forma subtil, não permitindo que a mesma ganhe contornos épicos (Voyage, Walking the Swamp, Crossing the River / T-Rex, Bird Strike, Tunnel / Helicopter ou Bella and the Beast).
É interessante verificar toda a associação de temas/motivos musicais da partitura de Desplat. Temos um tema associado à ilha de Saint-Hubert (Cave Swim), um outro relacionado com a família que se cruza acidentalmente com a equipa liderada pela personagem de Zora Bennett (Scarlett Johansson) (Clifftop, Dino Lovers) e ainda outros três para cada uma das antagónicas gigantescas criaturas pré-históricas. O mais assertivo aqui talvez seja o tema associado ao aquático Mosasauro, uma figura musical sabiamente construída através de uma sequência descendente de meios-tons (Mosasaur Attacks Yacht, Boat Chase, Mosasaur Bumps Boat). A certa altura do filme há um diálogo taciturno entre Zora e Kincaid (Mahershala Ali), sublinhado por uma belíssima melodia ao piano (Zora and Kincaid) que tem o propósito de estimular o espectador a empatizar com ambas as personagens. É uma pena, todavia, que Desplat não a explore adiante.
Estamos perante música vibrante q.b., belissimamente orquestrada e extremamente funcional. O mesmo é dizer que ninguém se queixará da música depois de ver o filme… Não obstante, confesso ser bastante mais apreciador das virtudes composicionais de Desplat em cenários de outra espécie, seja, por exemplo, em dramas de época («O Discurso do Rei»), animação («O Fantástico Senhor Raposo»), romances trágicos («O Véu Pintado») ou thrillers políticos («Syriana»). Depois da Back Lot Music já ter disponibilizado a BSO em formato digital desde o passado dia 2 de julho (data de estreia do filme), a Mutant Records planeia o seu lançamento em formato físico (CD e vinil) só no longínquo dia 3 de Outubro.




