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Frankenstein

O terceiro capítulo da designada Trilogia dos Monstros Amigáveis de Guilermo Del Toro não podia deixar de ser musicado por Alexandre Desplat, o mais estimado compositor do realizador mexicano. Desplat logrou, justamente, o seu segundo Óscar da carreira com a deslumbrante partitura para o primeiro filme da trilogia, «A Forma da Água» [The Shape of Water] (2017) mas deixou algo a desejar com o subsequente «Pinóquio de Guilermo Dell Toro» [Guilermo Dell Toro’s Pinocchio] (2022), música de menos inspiração que não fazia jus à extraordinária figura mítica do boneco imaginado por Carlo Collodi. 

No seu ponto essencial, a partitura de «Frankenstein» foca-se maioritariamente na psique e no aspecto emocional das personagens, não se propondo a exprimir terror ou medo, sensações próprias de um filme centrado na figura de um monstro. É o lirismo sobreposto à dissonância. Por conseguinte, faz aqui todo o sentido a inclusão de uma figura virtuosa do universo da música erudita como a violinista norueguesa Eldbjørg Hemsing, uma das mais notáveis solistas da atualidade. Desplat compõe dois temas para o protagonista, Victor Frankenstein (Oscar Isaac): o primeiro, uma supereminente figura melódica de sete notas que domina a partitura desde o início (Frankenstein, Explosion, Victor’s Tale, William and Father, The Castle, Awakening, Fire) e que capta a sua índole obsessiva, e um segundo, mais terno, que exprime a sua afeição aos entes que o rodeiam (Burning AngelMother Dies). Com naturalidade, também a Criatura (Jacob Elordi) ganha direito a uma contrastante e soberba figura musical que irrompe com veemência (Lecture, The Tower) e que vinca o seu aspeto macabro e grotesco. 

Desplat explora também o conceito da valsa, género musical cultivado com frequência nas suas bandas sonoras, primeiro como forma de alusão ao sentimento de Victor para com Elizabeth (Mia Goth) (Victor in Love, Victor & Elizabeth) e, mais tarde, com um intuito irónico, durante a repugnante sequência do desmembramento de cadáveres (Body Building). Em suma, música grandiloquente e cheia de garbo digna de uma nomeação a um Óscar. Desplat concorria aqui a uma terceira estatueta, contando já com um total de 12 nomeações. É obra. O extenso álbum – conta quase 105 minutos de música original – tem o selo da Mutant em parceria com a Netflix Music. 

 

https://www.youtube.com/watch?v=8AY8tKvkktw
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