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Dupla vitória para ‘Ainda Estou Aqui’ nas telas da Europa

Ímã de plateias nas salas de exibição de Portugal, onde estreou no dia 16 de janeiro, antes de ser indicado a três Oscars, «Ainda Estou Aqui» foi duplamente premiado na Europa no último sábado. Ganhou o troféu Goya, em Espanha, e a láurea de júri popular do 54° Festival de Roterdão, na Holanda, no mesmo dia, numa consolidação do seu crescente prestígio. A longa-metragem é dirigida por Walter Salles (de «Abril Despedaçado») e iniciou a sua carreira pelo Festival de Veneza, em setembro, quando ganhou a láurea de Melhor Argumento. No fim de semana, a película, produzida por Maria Carlota Bruno e Rodrigo Teixeira, consagrou-se em terras espanholas (numa cerimónia em Granada) ao vencer na categoria Melhor Filme Ibero-americano. É uma conquista inédita para o Brasil, em quatro décadas daquela premiação, que só havia contemplado a nação americana há 20 anos, com a vitória de Carlinhos Brown por uma canção de “O Milagre do Candeal”.

Na edição deste ano, quem recebeu a honraria em nome de Salles foi o uruguaio Jorge Drexler, cantor e compositor que trabalhou com o realizador em «Diários de Che Guevara» (indicado à Palma de Ouro de 2004). Aliás, Drexler ganhou o Oscar de Melhor Canção pela fita, há 20 anos, com a música “Al Otro Lado Del Río”.
Atualmente, nas telas europeias, o drama dirigido por Waltinho (apelido do cineasta na sua pátria) com base no romance homónimo de Marcelo Rubens Paiva lota multiplexes em França. A sua faturação em âmbito global aproxima-se dos US$ 20 milhões. No Brasil, vai chegar aos 4,5 milhões de ingressos vendidos ainda no início da semana, o que o configura como um caso raro de blockbuster autoral à moda latina.  

Walter Salles e Fernanda Torres


No páreo dos Oscars de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz (Fernanda Torres), «Ainda Estou Aqui» entrou em Roterdão numa mostra paralela, dedicada a vozes autorais. Destronou rivais de peso como o misto de thriller e drama do Irão «A Semente do Figo Sagrado», seu concorrente também na competição hollywoodiana, agendada para 2 de março, em Los Angeles. «O Brutalista», de Brady Corbet, também passou por lá.

A láurea mais cobiçada de Roterdão, o troféu Tigre, foi dado a «Fiume O Morte!», de Igor Bezinović, da Croácia. Já a mostra Big Screen teve como vencedor “Raptures”, de Jon Blåhed, da Suécia.

No próximo domingo, “Ainda Estou Aqui” concorre ao BAFTA, em Londres. A sua trama revive a batalha da advogada e ativista  Eunice Paiva (1929-2018) contra as forças repressivas que fizeram desaparecer o seu marido, o engenheiro e ex-deputado Rubens Paiva, em 1971, no ápice de uma ditadura militar que durou 21 anos. Eunice é vivida por Fernanda Torres (que ganhou o Globo de Ouro em janeiro, pelo papel) e pela sua mãe, Fernanda Montenegro, que encarna a personagem na sua fase mais outonal. As duas atrizes filmaram com Salles no passado, sendo que Montenegro chegou a ser indicada ao Oscar na parceria com ele em «Central do Brasil» (Urso de Ouro de 1998). Torres trabalhou com Waltinho  em «Terra Estrangeira», de 1995 (hoje na Netflix brasileira) e em «O Primeiro Dia» (1998), ambos realizados em dupla com Daniela Thomas.

Há uma década, Walter Salles lançou um documentário sobre o cineasta chinês Jia Zhangke (de quem é fã), chamado «O Homem de Fenyiang», lançado na Berlinale de 2015.   

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