Renée Zellweger pode dar as voltas que quiser, pode ganhar Óscares por interpretar Judy Garland e ser maravilhosa no musical (olá, «Chicago»), mas a heroína que se lhe colou à pele no início do milénio foi mesmo Bridget Jones, essa criação literária de Helen Fielding cujo liame com o cinema produziu um dos maiores sucessos do espectro da comédia romântica. Recorde-se o perfil de Bridget: mulher solteira londrina, dada a todo o tipo de desventuras enquanto tenta conciliar a página do amor com a carreira profissional e um certo exercício de autodescoberta. Enfim, por esta altura, o diário de Bridget Jones já atravessou a fase do casamento e conheceu a dor da viuvez.
Ao quarto filme da série, é justo dizer que a personagem ainda faz sentido, sim senhor(a), embora se dispensasse o acolchoado sentimental. «Bridget Jones: Louca Por Ele» está, curiosamente, menos firme na loucura que sempre caracterizou a vida amorosa da protagonista e mais preocupado em entrelaçar os fios emocionais, talvez para que ninguém se queixe de superficialidade… à falta de melhor termo. É um filme que parece querer mostrar um lado “maduro”, com o prejuízo de não deixar a comédia respirar devidamente. De resto, com franqueza, o que é que sobrevive hoje das (boas) comédias românticas? O género continua a depender de pequenas surpresas que furam a escassez da paisagem. E ainda que não seja um caso de cinema medíocre, há pouco mais do que gestão de conforto e piadas de Hugh Grant para elevar o material.

Retomando: Bridget Jones encontra-se agora viúva de Mark Darcy (Colin Firth), com dois filhos pequenos a encherem-lhe os dias de alegria matinal e barulheira doméstica, e com o seu antigo amante, Daniel Cleaver (Grant, claro), a emprestar um humor fresco e nostálgico aos “tempos modernos”. Mas é preciso mais do que isto para garantir um novo fôlego à meia idade da protagonista. O que é que acontece? Para além da decisão fundamental de regressar ao mundo do trabalho, um jovem bem-parecido (Leo Woodall) vem animar o leito de Bridget, ao mesmo tempo que se podem ler sinais contraditórios da parte de um professor (Chiwetel Ejiofor) do filho dela, com hora marcada para entrar plenamente, e romanticamente, em cena…
Brincando sempre com as pressões que a sociedade exerce sobre uma mãe solteira, e comentando o próprio semblante da nossa era – atente-se no breve espanto dela quando o novo namorado pergunta respeitosamente se a pode beijar –, «Bridget Jones: Louca Por Ele» cumpre os mínimos de um filme para o Dia de São Valentim. Sim, o calendário da estreia não é inocente.
TÍTULO ORIGINAL: Bridget Jones: Mad About the Boy REALIZAÇÃO: Michael Morris ELENCO: Renée Zellweger, Leo Woodall, Chiwetel Ejiofor DURAÇÃO: 124 min. ORIGEM: Reino Unido, França, Estados Unidos, 2025
[Crítica originalmente publicada na Metropolis a 12 de Fevereiro de 2025]
BRIDGET JONES 4: LOUCA POR ELE
15 de agosto | 21h30 TVCine Emotion

