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Amor em Quatro Letras

Com pouco rasgo criativo, «Amor em Quatro Letras» conta uma história de amor, mas conseguirá verdadeiramente apaixonar? Na história, conhecemos William (Pierce Brosnan), que abala por completo a vida da sua família quando, de repente, abandona tudo para se dedicar à pintura, deixando mulher e filho, Nicholas (Fionn O’Shea), entregues à sua sorte. Entretanto, a corajosa jovem Isabel (Ann Skelly) vive com a família numa ilha vizinha, que enfrenta um problema inesperado. Quando Nicholas e Isabel se conhecem, algo surge entre os dois. O amor parece estar à espreita, apenas à espera de uma ajuda do destino.

O filme é baseado no romance homónimo escrito por Niall Williams (que também assina argumento), um best-seller lançado em 1997. O filme conta com a realização de Polly Steele, que o faz de uma forma competente, embora não pareça sair muito dos limites do livro, algo que para o qual poderá ter também contribuído o facto de o próprio Williams também assinar o argumento. Por sua vez, o diretor de fotografia, Damien Elliott, tira partido das belíssimas paisagens irlandesas onde a história se passa, compondo uma moldura ideal para a narrativa, funcionando quase como uma personagem.

Contudo, a história não se revela apelativa o suficiente e, embora aborde de forma sentida temas sensíveis e dramas familiares delicados, acaba por descair demasiado para a previsibilidade e até para algum sentimentalismo excessivo, que, em vez de envolver, afasta.

O elenco não se entrega, todavia, ao tom de melodrama, tornando-se no principal trunfo do filme ao entregar desempenhos convincentes, com o protagonismo a ser entregue à segura dupla Fionn O’Shea e Ann Skelly, embora apoiado por um robusto elenco secundário. Além de ficar na história do cinema por ser um dos intérpretes do agente secreto James Bond, Pierce Brosnan é também pintor nas horas vagas e a sua entrega à pintura reflete-se na forma devota como a sua personagem encara a arte. Esta é, talvez, a figura mais curiosa da obra, um desafio a que o ator dá resposta. Helena Bonham Carter é um must em qualquer elenco e aqui não é exceção, destacando-se seja a nível individual ou pela boa química junto de Gabriel Byrne, também ele no tom certo.

Porém, nem belas paisagens e um elenco eficiente conseguem salvar «Amor em Quatro Letras» de um certo marasmo narrativo. Como nos dizia Álvaro de Campos, um dos mais expressivos heterónimos de Fernando Pessoa, “Todas as cartas de amor são ridículas”. Mas, aqui, falta essa expressividade e até esse ridículo, uma qualquer extravagância narrativa amorosa. Porque o amor até pode ser ridículo. Enfadonho, nem por isso.

Título original: Four Letters of Love
Realização: Polly Steele
Elenco: Fionn O’Shea, Ann Skelly, Pierce Brosnan, Helena Bonham Carter
Duração: 125 min.
País: Reino-Unido/Irlanda, 2024

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