Última Edição

Novidades

Artigos Relacionados

Supergirl

Superpoderes podem não chegar para fazer de alguém super e aqui está «Supergirl» para nos provar isso mesmo. Na sua primeira aventura cinematográfica a solo, Kara Zor-El junta forças com uma jovem à procura de vingança enquanto tenta salvar o seu companheiro de aventuras, o irrequieto cão Krypto. Numa viagem intergaláctica com um adversário inesperado, a Supergirl terá muitos desafios pela frente.

«Superman» (2025) marcou um novo capítulo nos filmes da DC, já na era de James Gunn e Peter Safran. Embora não tenha sido isenta de reparos, a obra tinha alguns ingredientes que a tornavam num apelativo filme de super-heróis, no qual a prima do herói fez uma pequena participação, em jeito de antecipação para a sua narrativa em nome próprio. E, de facto, prometia uma abordagem disruptiva ao certinho Clark Kent, numa versão mais audaz de um herói saído de Krypton.

Contudo, «Supergirl» acaba por ficar abaixo das expectativas, apresentando uma obra algo insípida e sem grande emoção. E até Krypto, o motor da narrativa e que tanto encantou o público no filme anterior, tem uma presença mais reduzida. Craig Gillespie já mostrou que sabe trabalhar histórias de maior cariz dramático, mas aqui não foge às diretrizes padronizadas das obras do género de super-heróis, cumprindo sem inovar, sendo que uma das cenas visualmente mais impactantes é quase um déjà-vu de outra cena de ação de «Superman».

Milly Alcock impressionou na série «House of the Dragon» (2022-), ajudando a construir o tom combativo mas algo delicado de Rhaenyra Targaryen, que Emma D’Arcy viria tão bem a desenvolver. Mas, no caso de «Supergirl», a atriz parece não ter encontrado verdadeiramente a essência da sua personagem. E não é a única, já que Jason Momoa, que regressa ao universo DC depois de ter sido Aquaman, também titubeia na sua interpretação de Lobo, numa versão não muito diferente do excêntrico vilão de «Velocidade Furiosa X» [«Fast X»] (2023). Por outro lado, Matthias Schoenaerts acaba por ver o seu talento desperdiçado num antagonista com características pouco vibrantes, enquanto a jovem Eve Ridley se revela uma boa surpresa.

Há uns anos, James Gunn afirmou que a “fadiga” de super-heróis não seria um cansaço do género, mas um desgaste de histórias vazias e sem foco emocional. O realizador sabe do que fala, tendo assinado uma das mais interessantes obras do género, com «Guardiões da Galáxia» [«Guardians of the Galaxy»] (2014). Mas acaba por ser, justamente, esta falta de envolvimento emocional que faz com que «Supergirl» se torne redundante dentro do género. Entretém e garante alguns momentos bem-humorados, mas o que fica, afinal, depois de os créditos finais arrancarem?

Título original: Supergirl
Realização: Craig Gillespie
Elenco: Milly Alcock, Eve Ridley, Matthias Schoenaerts, Jason Momoa
Duração: 108 min.
País: EUA/Reino-Unido/Austrália/Canadá/Islândia, 2026

Artigo anterior

Também Poderá Gostar de