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Postal de Cannes – 18 de Maio 2026

O cinema português teve uma representação muito especial na secção de ante-estreias (“Cannes Première”) com «Aquí», de Tiago Guedes. Representação ambígua — não pelas suas qualidades, entenda-se, mas porque, em boa verdade, se trata de um filme falado em espanhol, com um elenco predominantemente espanhol. Porquê? Por fidelidade à obra que adapta — “Trilogia de Jesus”, de J. M. Coetzee (Nobel em 2003) —, já que é o próprio Coetzee que considera que a tradução espanhola da sua obra é a versão mais justa do seu trabalho.
Sem esquecer que tudo acontece num território em que, realmente, se fala espanhol. Aí chegam um Simón e David, um homem e uma criança, vindos de uma saga de sofrimento, procurando um lugar onde ainda seja possível procurar a harmonia perdida pelos humanos. De uma só vez odisseia e parábola, «Aquí» propõe, de facto, uma experiência limite em que o cinema arrisca, sem preconceitos, o encontro com uma dimensão espiritual — uma dimensão de encantamento.

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