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OURO VERDE

«Ouro Verde», de Édouard Bergeon, aborda um tema crucial e urgente: a desflorestação causada pelas plantações de óleo de palma e o seu impacto devastador no meio ambiente e nas populações locais. Nesse sentido, a narrativa segue Carole (Alexandra Lamy), uma mãe determinada a salvar o filho Martin (Félix Moatide) de uma condenação injusta na Indonésia, lançando-se numa luta perigosa contra um poderoso lobby industrial.

Sem dúvida, a premissa é forte e necessária. A destruição das florestas tropicais não é apenas um problema ambiental, mas também humano, afectando comunidades inteiras e, sobretudo, a “nossa” casa. O filme tenta alertar para a forma como o consumo desenfreado está por detrás desta crise, expondo a ligação entre o mercado global e a degradação ambiental, assim como pretende mostrar o que acontece a quem tenta fazer frente ao sistema económico instituído.

No entanto, e apesar da importância do tema ou das performances de Alexandra Lamy e Félix Moatide, o argumento segue uma estrutura previsível, com pouco aprofundamento do contexto de cada personagem. Assim, esta “luta” sobre a qual é essencial falar, acaba substituída por uma sensação de puro “desvendamento do caso” de Martin. Colam-se peças para resolver uma situação que exigiria muito mais tempo de maturação e profundidade para causar um maior nível de consciência por parte do espectador.

Essa consciência é parcialmente ganha no final, quando surge a informação de que as florestas são, além de uma reserva de biodiversidade, uma muralha contra as alterações climáticas, e que de cinco em cinco segundos a deflorestação faz perder o equivalente a um campo de futebol de floresta primária. Nesse sentido, «Ouro Verde», recorda-nos algo que não pode ser esquecido: a destruição do “pulmão do planeta” continua e é grave, muito grave, e vamos ter de mudar radicalmente os nossos hábitos de consumo. Talvez não possamos lutar contra forças tão poderosas, mas a consciencialização continua a ser um passo essencial.

Título Original: La Promesse Verte Realização: Édouard Bergeon Elenco: Alexandra Lamy, Félix Moati, Sofian Khammes Duração 120 Min. Bélgica/França, 2024

©-2023-NORD-OUEST-FILMS-FRANCE-2-CINEMA-ARTEMIS-PRODUCTIONS-PLEIN-CHAMP-CAMISARDS

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Sara Afonso
Sara Afonso
Entrou para o jornalismo há mais de 20 anos, ainda antes de terminar o curso de Comunicação e Jornalismo. Estagiou no jornal O Jogo, na área de cultura e cinema e, no final do curso, entrou no jornalismo especializado de Tecnologia, nas revistas Connect, Casa Digital e T3. Em 2011, aceitou a direção do seu projeto de sonho: a revista de cinema Empire, o bilhete dourado para conhecer e entrevistar estrelas do cinema e da TV, para comentar eventos de cinema e para ser júri em festivais de cinema nacionais. Por fim, assumiu a coordenação de vários projetos de imprensa, em áreas como surf, fitness, gastronomia, vida selvagem, mindfulness e criatividade, alimentação saudável, entre outros, sempre mantendo a colaboração na área do cinema, com a revista digital METROPOLIS. Já escreveu livros, criou perguntas para um famoso programa de televisão e contribuiu com a sua escrita para um projeto deslumbrante sobre o Oceano, (Oceans and Flow). Recentemente, voltou ao mundo das revistas, mas, como alguém disse um dia: “A partir do momento em que participam na descoberta mágica do cinema, este torna-se o vosso amor para sempre.

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