A plataforma Filmin adiciona ao seu catálogo, a 4 de setembro, a média-metragem documental O Que Encontraram (What They Found), a primeira incursão do realizador Sam Mendes no género documental. O filme foi transmitido pela primeira vez na BBC Two em abril passado, por ocasião do 80.º aniversário da libertação do campo nazi de Bergen-Belsen. O documentário assenta nos testemunhos e imagens dos sargentos Mike Lewis e Bill Lawrie, operadores da Army Film and Photographic Unit britânica, sendo narrado exclusivamente com o seu material de arquivo.

Em abril de 1945, dois jovens operadores de câmara do exército britânico foram enviados para aquilo que pensavam ser um hospital de tifo no norte da Alemanha. As suas câmaras captaram a dura realidade: o campo de concentração de Bergen-Belsen, recém-libertado, com milhares de prisioneiros em agonia e corpos empilhados. Através dessas bobinas e das entrevistas radiofónicas que deram décadas mais tarde, O Que Encontraram reconstrói um dos registos visuais mais impressionantes do Holocausto.

Durante a pandemia, Sam Mendes foi contactado pelo produtor Simon Chinn para realizar um documentário sobre a Army Film and Photographic Unit. A proposta surgiu num momento vital em que o cineasta britânico, vencedor de um Óscar por Beleza Americana (1999) e autor de títulos como 007 – Skyfall (2012) e 1917 (2019), procurava explorar novos territórios expressivos.

Utilizando apenas as vozes e imagens de dois operadores de câmara do exército britânico durante as últimas fases da Segunda Guerra Mundial, espero que este documentário ofereça uma perspetiva única sobre a descoberta dos horrores de Belsen e a realidade do Holocaustoexplica Mendes sobre os motivos que o levaram a aceitar o projeto.

Um arquivo cinematográfico excecional

O documentário assenta em dois pilares de valor documental incalculável. Por um lado, as bobinas mudas a preto e branco que Lewis e Lawrie filmaram em Bergen-Belsen, entregues ao Imperial War Museum pela War Office britânica nos anos 50. Por outro, as entrevistas realizadas nos anos 80 a vários operadores de câmara da Segunda Guerra Mundial, conduzidas por Kay Gladstone, então conservadora sénior de cinema do museu. Entre estas, destacam-se os testemunhos sonoros de Lewis e Lawrie, preservados durante décadas nos arquivos. A combinação destes dois materiais permite ao espectador aceder tanto à dureza visual dos primeiros dias após a libertação como à reflexão pausada de quem viveu esses momentos.


Cinco factos essenciais sobre Bergen-Belsen

Bergen-Belsen foi inaugurado em 1940 como campo para prisioneiros de guerra franceses e belgas, e em 1941 recebeu cerca de 20.000 soviéticos. Em 1943, passou para as mãos das SS e transformou-se num campo de concentração, inicialmente concebido como “campo de troca” para judeus com passaportes estrangeiros.

A libertação do campo pelas forças britânicas ocorreu a 15 de abril de 1945. Os soldados encontraram cerca de 60.000 prisioneiros, a maioria gravemente doente, e aproximadamente 13.000 cadáveres espalhados pelo recinto.

Estima-se que pelo menos 50.000 pessoas tenham morrido em Bergen-Belsen durante o seu período de funcionamento. Entre elas, Anne Frank e a sua irmã Margot, que morreram de tifo em março de 1945, poucas semanas antes da libertação.

O colapso sanitário do campo agravou-se drasticamente nos últimos meses da guerra. Concebido originalmente para 10.000 prisioneiros, Bergen-Belsen albergava mais de 60.000 pessoas no momento da libertação. As condições de sobrelotação, a escassez de alimentos, água e saneamento básico, juntamente com a propagação de epidemias como tifo, tuberculose e disenteria, resultaram numa catástrofe humanitária.

Após a evacuação dos sobreviventes, as autoridades britânicas ordenaram a destruição do campo, com a queima de todos os barracões de madeira, para conter a propagação do tifo e evitar o seu reaparecimento na região. 

O Que Encontraram, estará disponível em exclusivo na Filmin a partir de 4 de setembro. 

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