Com experiência na publicidade e dois anos depois da estreia da sua longa de estreia «Amo-te Imenso» (2024), Hermano Moreira, realizador brasileiro radicado em Portugal há oito anos apresenta «Hotel Amor». Protagonizado por Jessica Athayde, a gerente “workaholic”, o filme retrata com ironia e humor o dia-a-dia de um hotel de Lisboa. Conversámos com Hermano sobre a origem do projeto, falámos sobre o título sugestivo do filme e sobre a escolha do elenco; a rodagem e as diferenças do dia para a noite, a importância do plano-sequência e das suas virtudes em «Hotel Amor» e confessou-nos a ambição de filmar uma série a partir deste filme.
Qual a génese de «Hotel Amor»? Como nasceu este projeto?
Hermano Moreira: Foi uma ideia minha! Começou a nascer em 2022, quando eu estava a fazer uns trabalhos de publicidade para um hotel no Marquês do Pombal, que é do mesmo grupo empresarial do Hotel Roma (local de rodagem do filme). Conheci o dono do grupo hoteleiro, o Zé Miguel, e ficámos amigos. Uma vez fomos tomar um copo e eu disse-lhe: “Zé, eu tenho muita vontade de fazer uma série num hotel. Uma “White Lotus” mais crua, mas estilo português. Tenho muita vontade de fazer uma série.” Os olhos dele brilharam! E ele perguntou: “Quanto tempo precisa para fazer uma série?”. Respondi: “Sei lá, uns três quatro meses!” E ele ripostou: “Não! Impossível! Isso não dá”. Disse-lhe então, está bom. Deixa para lá.” Dormi a pensar naquilo. Acordei no Domingo e liguei-lhe e perguntei: “E um filme?” Ele perguntou quanto tempo demorava e eu respondi: “Um mês”. Disse-me que assim já dava. Se eu quisesse fazer no Inverno, ele conseguia facilitar o processo. Perguntou-me em que hotel gostava de filmar: tinha hotéis em Fátima, o hotel Roma e me encantei pelo Hotel Roma. Achei o hotel tradicional e que me remete para uma Lisboa mais antiga. E decidi que queria o Hotel Roma! E como gosto muito de plano-sequência tive a ideia de fazer uma comédia, em plano-sequência, no Hotel Roma! E aí contatei um argumentista brasileiro, muito bom, meu amigo, o Bruno Bloch.
Esta é a história duma mulher e da luta árdua entre vida profissional e vida pessoal (gerir um hotel à beira do limite e a ausência de vida pessoal). Ou o dia-a-dia dum hotel e a questão do turismo em Lisboa. Como descreveria «Hotel Amor» para os nossos leitores?
Hermano Moreira: Se você é um hóspede, vai-se identificar, imediatamente, com alguma situação que já aconteceu consigo num hotel! Ou você já foi o Hóspede maçador, ou já encontrou um hóspede assim, ou já soube de alguém que já fez algo proibido dentro dum hotel. Brinco com isso: quando eu era miúdo, um hotel lembrava-me a férias, era uma alegria, dormir com os meus irmãos, com os meus primos, num quarto de hotel, ter um mini-frigorífico para comer chocolates. Era uma alegria! Nos dias de hoje, o hotel está muito ligado a trabalho – a férias também- mas sobretudo a trabalho. Será que eu vou conseguir dormir bem? Será que vou conseguir fechar um contrato, aqui neste hotel? Há sempre uma expetativa muito grande. É a viagem, sair do nosso espaço habitual e ir para outro espaço. Então, você vai-se identificar na figura do hóspede! Em relação à figura de quem trabalha no hotel, eles vão rir de gozo, porque eles sabem que os funcionários têm de estar sempre bem-dispostos, sorridentes, para todo o mundo, e a todo e qualquer momento! E os funcionários, além de terem vida própria, que têm de esquecer durante essas horas de trabalho, os empregados têm de aceitar algumas situações ridículas, algumas exigências dos hóspedes, como por exemplo; “uma francesinha sem pão!”
O elenco. A escolha da Jessica Athayde para protagonista. Foi logo uma primeira escolha? Houve um casting?
Hermano Moreira: A Jessica foi a minha primeira escolha. Nós não fizemos um casting, eu estava pensando em vários nomes, porque embora já esteja em Portugal, há oito anos, ainda não tenho o domínio completo de todos os atores e atrizes que trabalham nesta área. Numa conversa com o Amorim e com o Saúl da NOS, surgiu o nome da Jéssica. Essa atriz no meio de alguns nomes que eles colocaram, disse esta atriz já vi o trabalho dela, já vi alguns filmes e séries com ela. Gosto! Aí, conversei com um amigo meu – que não é da área – mas que é amigo da Jéssica e perguntei: “Como é a Jéssica, como pessoa? Ela é boa pessoa?”. Ele me garantiu que sim, que ela é muito tranquila, Aí eu pensei, que bom! Vou falar com ela. Conversámos por telefone, a conversa foi ótima! Depois reunimos, a Jéssica leu o guião. Foi uma escolha certa.
Leia a entrevista integral na edição nº119 da revista Metropolis, Junho 2025




