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CAVALEIRO DE COPAS

“Era uma vez um jovem príncipe cujo pai o enviou para o Egipto a fim de encontrar uma pérola. Quando o príncipe chegou, o povo serviu-lhe uma taça e, ao bebê-la, este esqueceu-se que era filho do rei, esqueceu-se da pérola e caiu num sono profundo.” É desta forma que Terrence Malick nos introduz «O Cavaleiro de Copas». A partir daqui, o filme é uma deambulação constante à procura da pérola, que não é mais do que a essência e a luz única de cada ser, adormecida por crenças que limitam, em vez de expandir.

Através de imagens imaculadamente belas, e sob uma banda sonora etérea, o realizador leva-nos numa road trip atribulada pela falsidade, consumismo e beleza efémera da cidade, conseguindo depois resgatar-nos para o conforto dos quatro elementos e da mãe de todos: a natureza. E nisso, é exímio. Oferece-nos o vento, a água, o fogo e a terra, de uma forma ímpar.

Malick dá-se ao luxo de deixar o argumento disperso, como peças de um puzzle espalhadas. Perdido na sua existência, sabemos que Rick (Christian Bale) é um homem de sucesso; que casou com o amor da sua vida, mas precisou de algo mais; que o suicídio do irmão o transtornou e abriu um buraco na família; que o outro irmão é o seu maior fã mas, como todos os irmãos, amam-se e odeiam-se e são reflexo das ambições dos pais; adora mulheres, qual Cavaleiro de Copas, pois todas elas lhe trazem algo de novo; mas, no fim, é nas provações que está a dádiva da vida, é das trevas que nasce a luz, e estamos sempre a tempo de recomeçar.

«Cavaleiro de Copas» não é um filme de fácil digestão. Obriga-nos a parar e a despojar de preconceitos para o podermos absorver. Não é gratuito, não é linear. É antes uma viagem pela procura da essência do ser, pela família, pelo amor e pela fé, à disposição de todos os que quiserem ler nas entrelinhas.

Título original: Knight of Cups Realização: Terrence Malick Elenco: Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman, Brian Dennehy, Antonio Banderas, Freida Pinto, Imogen Poots, Wes Bentley. Duração: 119 min. EUA, 2015

https://youtu.be/vl6BWTIZeOg
Sara Afonso
Sara Afonso
Entrou para o jornalismo há mais de 20 anos, ainda antes de terminar o curso de Comunicação e Jornalismo. Estagiou no jornal O Jogo, na área de cultura e cinema e, no final do curso, entrou no jornalismo especializado de Tecnologia, nas revistas Connect, Casa Digital e T3. Em 2011, aceitou a direção do seu projeto de sonho: a revista de cinema Empire, o bilhete dourado para conhecer e entrevistar estrelas do cinema e da TV, para comentar eventos de cinema e para ser júri em festivais de cinema nacionais. Por fim, assumiu a coordenação de vários projetos de imprensa, em áreas como surf, fitness, gastronomia, vida selvagem, mindfulness e criatividade, alimentação saudável, entre outros, sempre mantendo a colaboração na área do cinema, com a revista digital METROPOLIS. Já escreveu livros, criou perguntas para um famoso programa de televisão e contribuiu com a sua escrita para um projeto deslumbrante sobre o Oceano, (Oceans and Flow). Recentemente, voltou ao mundo das revistas, mas, como alguém disse um dia: “A partir do momento em que participam na descoberta mágica do cinema, este torna-se o vosso amor para sempre.

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