Inimigos Íntimos/L'ennemi intime

INIMIGOS ÍNTIMOS

INIMIGOS ÍNTIMOS

A Argélia é uma espécie de Vietnam para os cineastas gauleses esta tendência coincide com uma recente introspecção da própria sociedade e do Estado francês, o resultado é uma combinação dos desenganos de uma juventude perdida e uma guerra fratricida que nunca devia ter existido. A realização de «Inimigos Íntimos» tem inúmeros traços de Sergio Leone mas principalmente John Ford, transporta-nos para uma paisagem desolada que magnetiza o espectador, determina e esmaga os personagens num combate contra um inimigo invisível e os demónios internos dos intervenientes. Prevalece uma opção de contextualizar a acção, o que não parece muito feliz retirando alguma espontaneidade ao enredo, uma série de picadas onde se procede à metamorfose de Terrien derrotado pela realidade perdendo o idealismo e a própria identidade. Um óptimo tête-à-tête de Benoît Magimel e Albert Dupontel, as melhores faces da representação francesa, destaque para os personagens secundários que souberam marcar o seu lugar. A terminar, realce óbvio para a composição sonora de Alexander Desplat está a par do admirável trabalho de câmara e fotografia, o bom cinema continua a entrar pela porta do cavalo, estes rasgos de beleza mereciam outro ecrã [«Inimigos Íntimos» não estreou nos cinemas em Portugal] mas não deixa de ser um excelente registo de guerra.

Título original:L’ennemi intime Realização: Florent Emilio Siri Elenco: Benoît Magimel, Albert Dupontel, Lounès Tazairt. Duração: 111 min. França/Marrocos, 2007

[Crítica originalmente publicada na revista Premiere, Julho 2009]

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