Última Edição

Novidades

Artigos Relacionados

Fronteiras, Deslocamentos e Pertença – ciclo Casa Comum

­
A Zero em Comportamento apresenta, na Casa do Comum (Bairro Alto, Lisboa), entre 15 e 19 de julho, o ciclo FRONTEIRAS, DESLOCAMENTOS E PERTENÇA — sete filmes, entre documentário e ficção, reunidos em torno de uma mesma pergunta difícil: a quem, e a quê, pertencemos quando o chão debaixo dos pés deixa de ser nosso?

O ciclo percorre as linhas que nos separam e o que sobra de nós quando essas linhas se movem. Há fronteiras que são mares — um arquipélago no meio do Atlântico em Entre Ilhas, de Amaya Sumpsi, e o naufrágio de um navio negreiro entre Angola e o Brasil em Sobreviventes, de José Barahona. Há fronteiras que são línguas a apagar-se — a língua imposta aos povos da Amazónia em Nheengatu – A Língua da Amazónia, e o wolof do Senegal em Yoon, de Pedro Figueiredo Neto e Ricardo Falcão, que acompanha os 4000 km que separam os dois lugares a que o seu protagonista chama casa. E há fronteiras que são Estados a reclamar corpos — Gaza sob cerco em Gaza, Meu Amor, dos irmãos Arab e Tarzan Nasser; a militarização da infância israelita em Inocência – Um país onde ser soldado não é uma escolha, de Guy Davidi (co-realizador do nomeado para o Óscar 5 Câmaras Partidas); e o mito da pertença nacional norte-americana, visto de fora por uma cineasta brasileira, em Zona Árida, de Fernanda Pessoa.

Reunindo ficção e documentário, estes filmes recusam-se a tratar o deslocamento como estatística. Não explicam a perda de lugar: habitam-na.

O ciclo reserva um destaque ao díptico de José Barahona. O realizador português, falecido em novembro de 2024, é representado por dois filmes lado a lado, no mesmo sábado: a ficção Sobreviventes, a sua última longa-metragem, e o documentário Nheengatu – A Língua da Amazónia. Dois olhares, um sobre o passado colonial e outro sobre a sua consequência viva, que dialogam sobre o mesmo espaço atlântico de língua portuguesa.

Calendário:

15 Julho – 19h00

ENTRE ILHAS
A bordo de um ferry pelos Açores, a antropóloga e cineasta Amaya Sumpsi parte à procura de um tempo em que só os barcos ligavam as ilhas ao mundo. Entre diários, fotografias e relatos de comandantes, enjoos, namoros e tempestades, o filme navega de ilha em ilha e faz emergir um arquipélago lento e sensorial: ilhas centro e periferia, isoladas e cosmopolitas


16 Julho – 19h00

YOON
Num velho Peugeot 504, Mbaye Sow, camionista senegalês, repete a viagem de 4000 km que separa os dois lugares a que chama casa: Portugal e o Senegal. Uma jornada solitária e arriscada, feita de encontros, desencontros e compromissos, onde navega uma teia de relações e zonas cinzentas. “Yoon”, em wolof, é caminho, lei, norma — ou simplesmente viagem. Eleito melhor filme do Doclisboa 2021.

17 Julho – 19h00

ZONA ÁRIDA
Aos 15 anos, a cineasta brasileira Fernanda Pessoa foi estudante de intercâmbio em Mesa, no Arizona, a cidade mais conservadora dos EUA. Quinze anos depois, e dois meses antes da eleição de Trump, regressa para entender essa América feita de armas, da fronteira com o México e do mito do Oeste. Uma latino-americana que vira a câmara para a maior potência do mundo

18 Julho – 17h00

SOBREVIVENTES
Meados do século XIX. Os sobreviventes do naufrágio de um navio negreiro — senhores e escravizados, brancos e negros — dão a uma ilha deserta perdida no Atlântico. Isolados, a luta pela sobrevivência e pelo poder começa a inverter os valores morais e sociais da época. Será possível a harmonia depois de tanta violência? A última ficção de José Barahona, a preto e branco.

18 Julho – 19h00

NHEENGATU – A LÍNGUA DA AMAZÓNIA
Ao longo do alto Rio Negro, na Amazónia profunda, o realizador procura o nheengatu — a “língua geral” que os colonizadores portugueses impuseram aos povos indígenas e que algumas comunidades ainda hoje falam. Partilhando as filmagens com a população local, o documentário constrói-se no encontro de dois mundos e na memória viva da colonização.


19 Julho – 17h00

GAZA MEU AMOR
Em Gaza, Issa, pescador de sessenta anos, ama em silêncio Siham, costureira do mercado. Quando encontra nas suas redes uma antiga estátua de Apolo, decide escondê-la — e a sua vida tranquila vira do avesso. Uma comédia romântica terna e absurda, sob o pano de fundo dos cortes de luz, das bombas e do cerco que marca o quotidiano de Gaza.
­
19 Julho – 19h00

INOCÊNCIA – UM PAÍS ONDE SER SOLDADO NÃO É UMA ESCOLHA
Numa sociedade onde ser soldado não é uma escolha, Guy Davidi (co-realizador de “5 Câmaras Partidas”) parte dos diários de jovens israelitas que morreram em serviço e de vídeos caseiros para mostrar como as crianças são, desde cedo, conduzidas à farda — longe dos pais e contra os seus próprios valores. Um retrato dos custos da militarização.

Bilhetes até ao dia da sessão: 4€ · No dia da sessão: 5€

Também Poderá Gostar de