Um retrato íntimo, irreverente e profundamente humano de um dos fotógrafos mais influentes e controversos do nosso tempo.
Desde a década de 1970, Martin Parr tem construído um arquivo singular da sociedade contemporânea. As suas imagens saturadas, captadas com flash direto e enquadramentos inesperados, transformaram o banal em ícone e reinventaram a fotografia documental, expondo com ironia e acutilância os rituais da classe média, o lazer de massas e os excessos da sociedade de consumo.
Eu Sou Martin Parr desvenda o enigma que é Martin Parr. Acompanhamo-lo numa viagem pela estrada, lado a lado com este aventureiro incansável, sempre pronto a disparar a câmara para captar os mais pequenos detalhes do quotidiano.
Frequentemente acusado, no início da carreira, de ridicularizar a classe trabalhadora — sobretudo após a publicação da série The Last Resort —, Parr tornou-se uma figura central da fotografia contemporânea. O documentário regressa a New Brighton, quarenta anos depois, revisitando o local onde nasceu uma das suas obras mais emblemáticas, propondo uma reflexão sobre polémica, classe social e representação.
À primeira vista, Eu Sou Martin Parr poderia assumir o formato clássico de retrato biográfico. No entanto, Lee Shulman opta por um registo vivo e cúmplice, assumidamente colorido e lúdico, que dialoga diretamente com o estilo do próprio fotógrafo. A câmara raramente o confronta; prefere posicionar-se atrás do seu ombro, partilhando o seu olhar e convidando o espectador a ver o mundo como ele o vê.
O filme reúne ainda testemunhos de familiares, colaboradores e figuras incontornáveis da arte contemporânea, como Grayson Perry, Bruce Gilden e Harry Gruyaert, compondo um retrato multifacetado de um criador que continua a desafiar convenções.
A crítica internacional tem destacado o carácter envolvente e provocador do documentário. O The Guardian sublinha a oportunidade de revisitar o trabalho humanista de Parr e de repensar as críticas que o acompanharam ao longo das décadas. A Télérama descreve-o como um “retrato ácido de um artista brincalhão”, enquanto a Bulles de Culture o considera uma imersão “apaixonante, lúdica e divertida” em cinquenta anos de carreira.
Luminoso, saturado, excessivo — Eu Sou Martin Parr não é apenas um documentário sobre fotografia.
É um mergulho na mente de um artista que transformou o absurdo do quotidiano numa poderosa linguagem visual e que continua a questionar, com humor e frontalidade, a forma como vivemos.




