Ao terceiro spin-off, o que é que os Minions ainda podem acrescentar ao universo Minions? Convenhamos que a questão existencial destas criaturinhas amarelas, falantes de um idioma desconhecido mas compreensível, nunca deu muito que pensar. Habitantes do planeta Terra desde os primórdios da vida, o tema da sua simples longevidade, ou jornada biológica, tem sido suficiente para sustentar toda uma narrativa pré-«Gru – O Maldisposto». E «Mínimos e Monstros» não foge à regra: terá ocorrido aos produtores da Illumination e ao realizador Pierre Coffin que, se miúdos e graúdos querem mais Minions, não há muito a fazer senão servir o humor bananeiro com a mesma convicção dos filmes anteriores.
Voltando desta vez a imaginação para a própria máquina de Hollywood (uma jogada quase sempre inteligente em sequelas), o novo filme faz logo um brilharete nos créditos de abertura, colocando os Mínimos no centro da origem do cinema: desde as conhecidas imagens em movimento dos irmãos Lumière à «Viagem à Lua» de Georges Méliès, os incansáveis pequenos mestres do slapstick provam que nem a aurora da Sétima Arte escapou ao charme do seu caos.

Depois disso, vamos dar com dois Minions num espaço museológico onde a guia se detém sobre a história de servidão desta espécie, e aí a aventura está montada: de mestre em mestre, de desastre em desastre, os adoráveis operários da vilania vão aterrar em terras de Hollywood, destinados ao estrelato… Enfim, não sem múltiplos percalços pelo meio. Mas, mais uma vez, o artesanato da citação é precioso para manter os espectadores adultos em sintonia com o gesto de Coffin. Vejamos, quem recria cenas como a de Chaplin na roda dentada em «Tempos Modernos», Harold Lloyd pendurado no ponteiro do relógio em «O Homem Mosca», e Buster Keaton com a fachada da casa a cair em «O Marinheiro de Água Doce», tudo numa só sequência, merece todo o crédito. Mesmo que na soma das partes «Minions & Monsters» seja bastante episódico. Já no interior do sistema de estúdios americano, anos 1920, os mini-heróis mergulham na variedade de produções da época, desde dramas históricos e westerns a filmes de detetive e de guerra, com o objetivo maior de se tornarem realizadores. O que têm em mente? Um filme de monstros, ou melhor, o filme dentro do filme! Pela nossa parte, apetece dizer que essa magia dos bastidores do cinema não deixa «Mínimos e Monstros» cair na irrelevância total da animação acelerada, onde não falta nunca, algures, a (cansativa) missão de salvar o mundo.
TÍTULO ORIGINAL: Minions & Monsters
REALIZAÇÃO: Pierre Coffin, Patrick Delage
ELENCO: Pierre Coffin, Allison Janney, Christoph Waltz
ORIGEM: Estados Unidos
DURAÇÃO: 90 min.
ANO: 2026



