Luc Besson consegue um feliz matrimónio entre o terror e o amor. «Drácula: Uma História de Amor» consegue captar o sentimento do romantismo e a dor provocada por uma paixão que atravessa o espaço e o tempo. Caleb Landry Jones parece deslocado do personagem, colocando muito mais ênfase no lado trágico da narrativa. Mesmo assim, faz um trabalho competente na representação do amor como uma libertação, mas que ao mesmo tempo é uma maldição. Sabemos que é algo injusto comparar Caleb Landry Jones a representações imortalizadas por monstros como Gary Oldman em «Drácula de Bram Stoker» (1992) de Coppola, Bela Lugosi em «Dracula» (1931) de Tod Browning, e Max Schreck em «Nosferatu» (1922) de F.W. Murnau.
Neste filme, o “caçador de vampiros” é interpretado por Christoph Waltz, que é sempre delicioso, embora esteja um pouco em typecasting, com muito sarcasmo à mistura e algum overacting. É curioso que as representações masculinas fiquem vários pontos abaixo das protagonistas femininas. Zoë Bleu (Elisabeta/Mina) esbanja sensualidade e transmite para o ecrã a fragilidade da personagem, que se sente fora de tempo e cuja memória distante é despertada pelo aparecimento do Conde Vlad na sua vida. O outro destaque vai para a interessantíssima Matilda De Angelis, que devo confessar estar irreconhecível ao estar ligada à corrente. A sua personagem é uma das servas de Drácula em Paris, sendo completamente louca e adorando sangue e o que faz em nome do seu mestre.
A história é essencialmente uma tragédia da morte de uma grande paixão de um conde da Transilvânia; a sua amada morre em seus braços e o soberano amaldiçoa Deus, tornando-se maldito e imortal. Ele dedica-se, durante 400 anos, a viajar o mundo e a procurar a reencarnação da sua amada. E encontra-a por um feliz acaso em Paris. Simultaneamente, um padre que faz parte de uma ordem dedicada a caçar vampiros está no seu encalço. No meio desta batalha está Elisabeta/Mina, o objecto da paixão de Drácula. À parte do novelo de viver sem amor — a maior doença de todas —, temos um figurino de luxo e uma inspirada recriação de época em Paris. A narrativa, mesmo a espaços, faz-nos acreditar que o amor é eterno.
Título original: Dracula: A Love Tale
Realização: Luc Besson
Elenco: Caleb Landry Jones, Christoph Waltz, Zoë Bleu, Matilda De Angelis, Ewens Abid, Guillaume de Tonquédec Duração: 129 min.
França, 2025



