LINCE DE OURO FICÇÃO
Para melhor longa-metragem de ficção
Chicas Tristes, Fernanda Tovar (MEX, FRA, ESP)
Declaração do júri
Há uma história a ser contada, mas aquilo que verdadeiramente nos prende e cativa são as personagens e a forma como estão juntas. É um filme de momentos, um filme sobre a força do aqui e do agora. Não há necessidade de prolongar nem de explicar, porque são as personagens e a ligação entre elas que falam por si.
O filme aborda as dificuldades do crescimento, mas, acima de tudo, oferece-nos uma belíssima ode à humanidade, conduzida por um olhar profundamente imaginativo, vibrante, rigoroso e terno. Não estás sozinho, ainda há esperança. É isso que o filme procura transmitir e, só por si, essa é uma mensagem que vale verdadeiramente a pena acolher.
Menção honrosa
Truly Naked, Muriel d’Ansembourg (NLD, BEL, FRA)
Declaração do júri
O júri decidiu atribuir uma menção honrosa à longa metragem “Truly Naked”, de Muriel d’Ansembourg, pela coragem e sensibilidade com que aborda um dos temas mais inquietantes da atualidade: a violência, em particular a violência sexual entre os jovens, e a crescente confusão entre intimidade e pornografia.
Sem artifícios nem romantizações, o filme acompanha a difícil descoberta da intimidade por um casal de adolescentes, recusando qualquer estetização da violência. Pela relevância do tema e pela honestidade do seu olhar, o júri entendeu distinguir esta obra com uma menção honrosa.

LINCE DE OURO DOCUMENTÁRIO
Para melhor longa-metragem de documentário
The Ground Beneath Our Feet [foto], Yrsa Roca Fannberg (ISL, POL)
Declaração do júri
Por transformar o cinema num gesto de cuidado, abordando o fim da vida com uma intimidade e um amor notáveis. O filme resiste a um olhar monótono, revelando uma vitalidade inesperada no seio das suas rotinas.
LINCE DE PRATA FICÇÃO
Para melhor curta-metragem de ficção
Nobody Knows The World, Roddy Dextre (COL, MEX, PER, ESP)
Declaração do júri
Pela sua notável confiança cinematográfica e pela profundidade da sua linguagem visual. O filme capta momentos autênticos e emoções delicadas com empatia e elegância, revelando subtilmente a presença quotidiana da violência através de olhos inocentes e desprevenidos, sem nunca perder de vista a esperança num futuro diferente.
Menção honrosa
Our Pantheons, Rosalie Charrier (FRA)
Declaração do júri
O júri decidiu atribuir uma Menção Honrosa a “Our Pantheons”, de Rosalie Charrier, pela forma contida, rigorosa, mas também sensível, com que aborda uma realidade muito presente na vida de muitas jovens mulheres. Sem dramatizações nem complacência, o filme revela a tensão entre um mundo cada vez mais vigilante e, paradoxalmente, incapaz de proteger quem precisa. É essa sobriedade, aliada a uma força narrativa discreta, que o júri entendeu distinguir.
LINCE DE PRATA DOCUMENTÁRIO
Para melhor curta-metragem de documentário
Their Eyes, Nicolas Gourault (FRA)
Declaração do júri
À medida que o filme vai alargando o seu campo de visão, revela uma paisagem transnacional marcada pela precariedade. Ao colocar outros territórios e experiências no centro da narrativa, desafia os preconceitos incorporados nos sistemas digitais.
LINCE DE PRATA ANIMAÇÃO
Para melhor curta-metragem de animação
Poor Marciano, Alex Rey (ESP)
Declaração do júri
“Poor Marciano” é um filme seguro da sua identidade e profundamente original, que permanece connosco muito para além do seu final. O cinema também pode ser um espaço de celebração da vida comum, mesmo quando essa vida gira em torno de uma obsessão por uma canção e da dificuldade em fazer amigos. É um filme muito bem pensado e cheio de personalidade, em que o estilo de animação complementa na perfeição a narrativa. Um filme que nos deixa felizes e desperta a vontade de descobrir mais obras da mesma realizadora.
Menção Honrosa
God Is Shy, Jocelyn Charles (FRA)
Declaração do júri
Notável tanto pelo seu rigor formal como pela sua imaginação, “God Is Shy” cria um universo que envolve por completo o espectador. Alcança algo verdadeiramente raro ao confrontar-nos com perguntas que, em última instância, não têm resposta — questões que se encontram no cerne da nossa existência. Em vez de procurar explicá-las, o filme dá-lhes forma cinematográfica, recorrendo ao poder da imagem e da animação para expressar aquilo que as palavras não conseguem dizer.
Profundamente cinematográfico, comovente, inquietante e assombrador, é um filme que permanece connosco muito depois de terminar. Tal como as suas personagens, que se confrontam com uma verdade última, também nós saímos transformados, depois de termos vivido uma experiência verdadeiramente singular. “God Is Shy” recorda-nos o verdadeiro poder do cinema: a sua capacidade única de nos fazer sentir, refletir e acreditar.
LINCE DE PRATA EXPERIMENTAL
Para melhor curta-metragem experimental
Water Sports, Whammy Alcazaren (PHL)
Declaração do júri
“Water Sports” leva-nos numa viagem frenética, caótica e imprevisível, repleta de energia, reviravoltas inesperadas e um irresistível espírito lúdico. No centro deste universo excêntrico encontra-se uma história de amor e, por baixo de todo o humor e absurdo, esconde-se uma profunda ressonância emocional. O filme tem muito a dizer sobre o mundo que nos rodeia, sem nunca perder o seu contagiante sentido de diversão.
Menção Honrosa
Abortion Party, Julia Mellen (ESP)
Declaração do júri
“Abortion Party” é tão livre e divertido quanto a sua realizadora, Julia Mellen. A sua energia irreverente e sem filtros atravessa todo o filme. As personagens são fascinantes e a realizadora revela um verdadeiro talento para contar histórias. O filme aborda um tema delicado que facilmente poderia cair no moralismo, mas opta antes por oferecer um retrato honesto de uma mente em permanente ebulição. Criativo, vibrante e plenamente merecedor de celebração.

GRANDE PRÉMIO NACIONAL
Para melhor curta-metragem de produção/realização nacional
Mofo [foto], Carly Hanna (PRT)
Declaração do júri
Pela forma honesta como aborda a perda, onde a memória permanece inscrita no bolor que se espalha pelas divisões da casa. Através de fragmentos subtis, o filme evoca uma história familiar complexa, feita de silêncios e de assuntos que permanecem por resolver.
Menção Honrosa
Leite das Monarcas, Francisco Nuno Rodrigues (PRT)
Declaração do júri
Pela forma como joga com as imagens e assume riscos na sua forma cinematográfica, confrontando o trauma familiar através da beleza.
NEXXT
Para melhor curta-metragem de escola
First Summer, Heo Gayoung (KOR)
Declaração do júri
Os filmes sobre o amor caem muitas vezes em lugares fáceis e previsíveis, mas esse não é o caso de “First Summer”, da realizadora sul-coreana Heo Ga-young. “First Summer” é uma curta-metragem extremamente elegante, na qual o enquadramento cinematográfico dança em perfeita sintonia com a protagonista, interpretada de forma brilhante por Heo Jin. Tudo no filme revela um olhar apurado e uma forte vontade de contar histórias da melhor forma possível. Temos a certeza de que a realizadora continuará a fazer filmes, e estaremos cá para os ver.
Menção Honrosa
Far From Beyrouth, Mon Dewulf (BEL)
Declaração do júri
“Far from Beyrouth” é um filme que nos toca através de um diálogo entre duas pessoas, afastadas pela distância mas profundamente ligadas. A sua força reside na simplicidade e na sua quieta integridade. É uma história de amizade, de amor e de uma guerra que destrói tudo à sua volta, mas o filme mantém um poderoso sentido de intimidade apesar da presença avassaladora da destruição. É uma obra de grande importância, tanto pelo seu tema como pela sinceridade com que testemunha.
PRÉMIO DO PÚBLICO Longa-metragem
Truly Naked, Muriel d’Ansembourg (NLD, BEL, FRA)
PRÉMIO DO PÚBLICO Curta-metragem
Ivar, Markus Tangre (NOR)



