Quem diria? Alguns dos momentos mais empolgantes deste festival, com uma pontinha de nostalgia, estão a acontecer na secção Cannes Classics. Isto porque a produção de cópias restauradas continua a ser um fenómeno, de uma só vez artístico e comercial, que mobiliza entidades de todo o mundo — a começar, claro, pelos arquivos fílmicos.
Mais dois exemplos: «The Stranger» (1947), de Orson Welles, e «L’Innocente» (1976), de Luchino Visconti. O primeiro, aceitando jogar com os códigos de um policial de série B, coloca em cena um nazi que tenta esconder a sua identidade, “diluindo-se” na teia social de uma pequena cidade “made in USA”; o segundo, adaptando o romance de Gabriele D’Annunzio, escalpeliza os valores de uma aristocracia a viver uma trágica decadência ética e política. Além do mais, com uma memória amarga associada a «L’Innocente»: o filme teve a sua estreia mundial em Cannes/1976, mas Visconti faleceu cerca de três meses antes do festival«
Postal de Cannes – 19 de Maio 2026




