Que dizer de um filme de terror que coloca em cena uma jovem cineasta que está a desenvolver um projecto de “remake” de um “slasher” que foi um grande sucesso popular? Que dizer desse filme que, através de uma metodologia verdadeiramente cinéfila, vai encenando as atribulações da sua protagonista através de uma teia de memórias que evolui de “Psico” (1960) até «Videodrome» (1983), passando por «Crepúsculo dos Deuses» (1950)? Esta última pode parecer bizarra, mas é totalmente fundamentada. Esse filme tem um título tão delicioso quanto bizarro — «Teenage Sex and Death at Camp Miasma» —, mas também com total justificação, sendo assinado pela americana Jane Schoenbrun que, assim, teve direito a fazer a abertura oficial da secção “Un Certain Regard”.
Entretanto, não esqueçamos a continuação da exemplar filmografia do polaco Pawel Pawlikowski: em «Fatherland» (competição), ele evoca o regresso de Thomas Mann à Alemanha (em 1949, para receber o Prémio Goethe), superando as convenções do “retrato biográfico”. O resultando é um verdadeiro requiem moral vivido pelo autor de “A Montanha Mágica”.
Postal de Cannes – dia 14 de Maio 2026



