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Postal de Cannes – dia 12 de Maio 2026

De acordo com as palavras de Thierry Frémaux, delegado geral do Festival de Cannes, na habitual conversa com os jornalistas, a noção de diversidade (cinematográfica e cinéfila) continua a ser uma palavra de ordem na Côte d’Azur. E não há qualquer razão para o desmentir. Assim, este ano, os contrastes do planeta do cinema continuam a ser bem visíveis, do novo filme de Pedro Almodóvar até uma evocação da derradeira entrevista de John Lennon realizada por Steven Soderbergh, passando por uma sessão na praia para celebrar «Top Gun»…

Dito isto, convenhamos que o filme de abertura — «La Vénus Électrique», de Pierre Salvadori — foi tanto mais desconcertante quanto não seria de esperar que, nestes tempos de muitos delírios virtuais, alguém arriscasse filmar uma história de alguma nostalgia romântica temperada por uma ironia paradoxal, terna e cruel.

A história da vidente (Anaïs Demoustier) que engana o pobre pintor em crise criativa (Pio Marmaï), tentando que ele esqueça o amor perdido, evolui, afinal, como um pequeno conto moral, insólito e naïf, empenhado em mobilizar o espectador para uma ideia mais ou menos lírica do próprio cinema. Não será um objecto capaz de mudar a história, mas não deixa de ser uma celebração sugestiva da velha arte de contar histórias.

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