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O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

A genialidade de Michael Giacchino está bem vincada na magnífica partitura de «O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos». Um regresso inspirado do compositor aos “filmes de super-heróis” depois das partituras de «The Batman» e «Thor: Amor e Trovão», ambos os filmes de 2022. E se existe alguma espécie de segredo, uma fórmula mágica, que coloque nos píncaros uma banda sonora de um filme deste teor é a existência de um tema principal pujante e memorável. A este respeito, John Williams e Danny Elfman atingem o pináculo com os seus icónicos temas para «Superman» (1978) e «Batman» (1989), respetivamente, as duas maiores bandas sonoras dentro do género. Giacchino não atinge obviamente o brilhantismo de Williams ou de Elfman (nem se lhe podia exigir tal feito) mas não deixa de granjear algo de inolvidável.

O compositor utiliza uma grande orquestra, um coro e ocasionais investidas electrónicas para criar uma obra refinada, de proporções monumentais cujo tema principal conotado com os elementos do Quarteto Fantástico progride através de intervalos ascendentes, transmitindo desta forma uma sensação de elevação e heroicidade.  Para além disso, Giacchino resgata, ocasionalmente, um pouco da sonoridade retro-kitsch que já havia explorado em «The Incredibles: Os Super-Heróis» (2004). Pregnancy Testing 1,2,3 introduz o tema do Quarteto: esta primeira exposição surge sob a forma de caixa-de-música em referência à notícia da gravidez de Sue (Vanessa Kirby). Destacam-se uma variedade de faixas como Herald Today, Gone Tomorrow, que revela o segundo tema mais relevante da partitura, uma melodia associada a Shalla-Bal/Surfista Prateada (Julia Garner) (aqui com início aos 0:27) ou The Lightspeed of Your Life que sublinha a grandiosa sequência da perseguição da Surfista Prateada à nave do Quarteto. Há também duas faixas que resumem na perfeição as duas forças opostas representadas na partitura: a música dos chamados “bons”, The Fantastic Four: First Steps Main Theme Extended Version, uma longa exposição do cativante tema principal (que dificilmente nos sai do ouvido), ea música dos “maus”, The Galactus/Silver Surfer Suite, de características marcadamente sombrias, mas épica em toda a linha.

Quatro faixas-bónus completam este álbum com a chancela da Hollywood Records: Em The Fantastic Four Power Hour (Cartoon Theme)Giacchino parodia o seu próprio tema adaptando-o ao estilo de Hoyt Curtin, diretor musical das míticas produções Hanna-Barbera, numa das sequências pós-créditos. The Ted Gilbert Show, é o jingle do fictício programa apresentado por Ted Gilbert (Mark Gatiss) e Let Us Be Devoured (Studio Version), uma belíssima balada folk original, irónica na sua essência, escrita e interpretada por Andrea Datzman, que serve como cartão de boas-vindas a Galactus ao planeta Terra. Só é possível escutá-la, por inteiro, durante os créditos finais. Por fim, o chistoso H.E.R.B.I.E.’s Lullaby cantado pelo “robô de companhia” H.E.R.B.I.E. (Matthew Wood). Não é exagero afirmar estarmos perante a melhor partitura de super-heróis desde «Black Panther» (2018).

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