Larry (Miles Teller) e Joan (Elizabeth Olsen) são um casal de longa data que se desloca para um evento de família, enquanto causa o caos no trânsito e discute trivialidades, numa demonstração de cumplicidade construída ao longo de uma vida. Num segundo, a vida de Larry termina abruptamente e ele chega a uma “plataforma pós-morte”. Naquilo que se assemelha a uma feira de emprego megalómana e a uma estação de comboios que se estende até onde a vista alcança, as almas dispõem de uma semana para decidir onde querem passar a eternidade. Pouco tempo depois, quando Joan chega, confronta-se com uma escolha terrível: seguir para a eternidade com Larry, o homem com quem partilhou a vida, ou com Luke (Callum Turner), o seu primeiro amor, que morreu jovem e esperou 67 anos pela sua chegada à “plataforma”.
Num tom leve e marcadamente cómico — muito por culpa das intervenções de Da’Vine Joy Randolph e John Early — o realizador David Freyne constrói uma narrativa que se atreve a ir um pouco mais além das convenções da comédia romântica. Ao cruzar temas de vida e morte e ao introduzir um triângulo amoroso sem “bons” ou “maus” — apenas pessoas, com as suas falhas e virtudes — o filme sustenta-se numa profunda esperança no amor.

David Freyne, realizador de apenas duas longas-metragens — «Dating Amber» e «The Cured» — revelou em várias entrevistas que sempre quis criar, cinematograficamente, a sua própria ideia de “pós-vida”, num exercício de fantasia inspirado por alguns dos seus filmes de eleição, como «O Feiticeiro de Oz» e «Caso de Vida ou Morte», bem como pela arquitectura brutalista de edifícios emblemáticos como a biblioteca Robarts da Universidade de Toronto e o centro de artes Barbican, em Londres.
Apesar de se tratar do maior orçamento que recebeu até hoje, este revelou-se ainda limitado face à ambição do projeto, obrigando a uma readaptação de muitas ideias para que o efeito desejado fosse alcançado. Neste caso, as limitações acabaram por resultar em soluções criativas que enriquecem o filme, em vez de o empobrecer.
No final, e sustentado pelas sólidas prestações de Miles Teller, Callum Turner e Elizabeth Olsen, o resultado é um filme leve, que não deixa de emocionar quando o amor está em causa. Viver uma paixão interrompida precocemente ou prosseguir com o amor de uma vida inteira, feito de memórias partilhadas? Por vezes, o maior gesto de amor é aquele que abdica em nome da felicidade do outro — e, num mundo onde os valores parecem cada vez mais diluídos, um lembrete destes devolve-nos alguma esperança.
Título original: Eternity Realização: David Freyne Elenco: Miles Teller, Elizabeth Olsen, Callum Turner Duração: 114 m EUA, 2025




