O agente de talentos de maior sucesso em LA, Jack Giamoro (Ben Affleck), parece ter tudo: uma carreira de sucesso, dinheiro e uma bela mulher, Nina (Rebecca Romijn). Mas continua a sentir que lhe falta algo, e deste modo começa a ter aulas de modo a explorar os seus sentimentos— aulas leccionadas pelo pomposo e temperamental Mr. Primkin (John Cleese). O diário de Jack leva-o a reavaliar a sua vida e abre as comportas de uma série de memórias tanto trágicas como cómicas — flashbacks semelhantes a instantâneos esbatidos de um velho álbum de fotos de família.
Quando Jack se apercebe que a sua mulher o está a enganar com o seu maior cliente, o argumentista de sitcoms Phil Balow (Adam Goldberg), a sua vida perfeita começa realmente a desfiar-se. E as coisas ainda pioram quando o diário de Jack — que contém segredos que podem arruiná-lo, tanto pessoal como profissionalmente — é roubado por uma jornalista ambiciosa...

Crítica
Mike Binder, argumentista, realizador e actor, volta ao mesmo registo do seu último sucesso, «O Lado Bom da Fúria». Existe uma repetição dos mesmos pontos fortes: o argumento original, um casting que funciona e o melodrama existencial de um adulto em crise da meia-idade.
Desta vez em «Um Homem na Cidade», o protagonista principal, Jack (Ben Affleck, recuperado para o grande ecrã após sucessivos flops), está a meio de uma grave crise de confiança em que nada resulta na sua vida e tudo se está a desmoronar em seu redor. Acompanhamos o personagem numa viagem de introspecção e respectiva caminhada para a normalização. Obviamente pelo meio ficam as narrativas das suas crises: conjugais (o divórcio da mulher), empresariais (o fim da sua empresa) e familiares (a relação com o pai).
Neste filme, Mike Binder é mais ambicioso, não só no enredo, mais denso e igualmente mais divertido e menos melodramático, como na própria realização, com sequências de edição e montagem que incutem mais estilo. Talvez por também ser actor interveniente, ele consegue captar uma química resultante das interpretações dos diferentes personagens. Para além de Affleck, Rebecca Romijn (Nina), deixa o registo da acção/aventura, desempenhando romance e drama com convicção: não é brilhante, mas é aceitável atendendo aos anteriores trabalhos. John Cleese empresta a sua classe e talento num papel pequeno, mas cheio de humor, o de professor Primkin.
Este “homem na cidade” de L.A. olha também de uma forma mais satírica para os meandros de Hollywood, que é o pano de fundo deste filme. Acaba por ser uma tentativa que resulta pouco, quando comparada com a divertida série da HBO «Entourage», que realmente mergulha com muito humor nesse mundo dos bastidores da indústria do cinema. Na maior parte do tempo, a comédia atenua a intensidade dramática de uma forma inteligente, ainda que Binder, por vezes, se entusiasme na descrição dos acontecimentos e force as sequências a entrar claramente num território sem sentido de humor.
Apesar de não ser uma grande evolução na carreira do realizador, «Um Homem na Cidade» confirma o seu talento através do seu olhar clínico sobre as crises existenciais da meia-idade, tornando-se uma alternativa interessante em exibição nos cinemas nacionais em plena época estival.
[Crítica publicada no Cinema2000 a 24 de Agosto de 2006]
Título original: Man About Town Título (Brasil): Um Cara Quase Perfeito Realização: Mike Binder Intérpretes: Ben Affleck, Rebecca Romijn, John Cleese, Samuel Ball, Mike Binder, Gina Gershon, Adam Goldberg, Howard Hesseman, Bai Ling, Jerry O`Connell Estados Unidos, 2006 Estreia: 24 de Agosto de 2006

