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The Man Who Definitely Didn’t Steal Hollywood

«The Man Who Definitely Didn’t Steal Hollywood» é um filme que é uma passagem obrigatória para os fãs da história do cinema, das intrigas de bastidores e, por que não dizer, um thriller com ares de «The Thomas Crown Affair». É um golpe incrível, daqueles mais ousados do que a própria ficção. O realizador John Dower e a sua equipa vão aos meandros de um esquema incrível desenrolado nos anos 1990 perante os olhares do mundo, quando um italiano comprou o famoso estúdio MGM. A principal figura deste filme é Giancarlo Parretti, um dos participantes do documentário, que relata a história à sua maneira. No final da obra temos os factos verdadeiros – mas este indivíduo está longe de ser o único vilão que surge em cena para alimentar outros indivíduos sedentos de ganância e, no meio disto tudo, uma joia de Hollywood. Entre 1931 e 1941, havia oito grandes estúdios em Hollywood; a receita total do cinema nessa década foi de 128 milhões — uma enorme quantia de dinheiro para a época — a MGM foi responsável por 95 milhões dessa receita. A MGM reinou até os anos 1950. A partir dessa década, os homens de negócio assumiram o negócio e pouco se interessavam pelo cinema; em 1990, a MGM estava à beira da falência.

Giancarlo Parretti era considerado um magnata italiano com ligações ao poder e, segundo os rumores, à máfia; ninguém sabia de onde vinha o seu dinheiro. Parretti explica como tudo se sucedeu num hotel de Nova Iorque; partes desta história são representadas por animação ao estilo de desenhos de pré-visualização. Começou com origens humildes, lavando pratos, servindo às mesas, trabalhando em Londres e nos navios. Depois começou o seu empreendedorismo com hotéis e um clube de futebol na Sicília, abriu uma rede de 300 hotéis e a maior empresa imobiliária em Espanha, além de empresas de seguros. A aventura de Parretti no cinema começou ao adquirir o grupo Cannon, um estúdio independente com uma série de sucessos com estrelas que emergiam no cinema de ação O estúdio tinha imensos sucessos, mas era mal gerido pelos seus proprietários, Menahem Golan e Yoram Globus. Um dos principais bens do The Cannon Group eram as suas salas de cinema espalhadas em Inglaterra, nos Países Baixos e França. Parretti tirou o maior partido, inflacionando o valor desse activo.


O documentário coloca em frente às câmaras Alex Yemenidjian, o director executivo da MGM na época. Ele relata as nuances do negócio e, de certa forma, o desespero de vender o estúdio. O dono da MGM era Kirk Kerkorian, que tinha uma fortuna de 16 mil milhões de dólares. O negócio foi consumado em cima de várias aparências artificiais e da noção de que Parretti era um super milionário. Ele de facto tinha um jacto, um Gulfstream 5, que levou Meryl Streep ao Festival de Cannes, aquando da estreia e do Prémio de Melhor Actriz no certame por «Um Grito na Escuridão», um filme produzido pela Cannon Entertainment, num episódio contado pelo realizador do filme, Fred Schepisi. Mas semanas após o fecho negócio da MGM, começam a aparecer as primeiras rachas na transação financeira. Não havia liquidez na MGM, e começou-se a perceber de onde tinha surgido o dinheiro de Parretti no envolvimento do banco Crédit Lyonnais, que investiu os fundos dos contribuintes franceses, injetando um milhão de euros por dia no Estúdio, antes de decidir puxar o tapete. Curiosamente, «Thelma e Louise» surge neste período, diante de uma baixa nas bilheteiras e da falta de fundos para promover os lançamentos da MGM nos cinemas.

O filme, nesta fase, apresenta o cérebro da operação e o sócio invisível de Parretti, um contabilista que criou uma gigante fachada de empresas inexistentes, e abre-se uma caixa de Pandora, entendemos ainda melhor o golpe e as ligações criminais ao banco francês. O filme tem essa capacidade de criar umthriller que adquire o ritmo em tempo real e o contraponto para a figura simpática de Giancarlo Parretti. Ele é um verdadeiro contador de histórias com o seu apreço pela arte e pelos luxos da vida no seu palácio na provícia italiana, é evidente que foi o rosto (e nome que ficará para a História) mas não foi único culpado de um caso verdadeiramente incrível. O documentário está extremamente bem executado e documentado, um bom trabalho de John Dower, não basta contar uma história é preciso saber contar a história; é ver para crer.

Título original: The Man Who Definitely Didn’t Steal Hollywood
Realização: John Dower
Documentário
Duração: 90 min.
Reino Unido, 2024

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