É no genérico inicial que somos apresentados às duas figuras centrais da obra-prima que Scorsese realizou em 1976. Quem são elas? Um jovem veterano do Vietname (De Niro), e a cidade pela qual ele vai guiando o seu táxi de noite, de modo a acolchoar a sua solidão: a de Nova Iorque (que aqui é filmada como um cadáver em decomposição). O que se segue é a claustrofóbica e violentíssima crónica da descida aos infernos de um cão danado que, como revela aquela colérica narração em off na primeira pessoa, se vai deixando devorar pela decadência de uma cidade que, em rigor, mais não é do que um reflexo distorcido da sua psique. Magnífico.
[Texto originalmente publicado na Metropolis 46, Fevereiro 2017]

