A partir de uma premissa simples, seguir um homem silencioso, Aatami Korpi, na imensidão natural de uma Finlândia em luta contra o avanço nazi, em 1944, “Sisu” virou uma espécie de “John Wick” (ainda mais) B. O orçamento de 6 milhões de euros não impediu o cineasta Jalmari Helander de criar um delirante espetáculo cinemático, que consegue dialogar com as inquietudes do cinema de ação da contemporaneidade. Tal conversa é ainda mais fina em «Sisu 2», apelidado de “Road to Revenge” e lançado no Fantastic Fest, no Texas, em setembro. 

O entendimento das suas virtudes requer uma viagem no tempo. Diante das falências utópicas pós-68 que engajaram o cinema americano em lutas políticas nos anos 1970, Hollywood besuntou-se na ação, na década de 1980 e na primeira metade dos 1990, a fim de entorpecer corações e mentes com adrenalina. Sylvester Stallone, Schwarzenegger, Steven Seagal, Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren foram os suseranos de um feudo em que a brutalidade se impôs como estado de coisas nas narrativas pop, a traduzir o zeitgeist do degelo ideológico do fim da Guerra Fria. A onda politicamente correta iniciada em 1991 passou a ceifar muitos desses ídolos (só Stallone ficou de pé, sobretudo com a série «Tulsa King») e oferecer o humor como alternativa, criando comédias com pancadaria, vide os filmes com Jackie Chan ou a tetralogia “Bad Boys” (1995-2024). Um dos poucos que escaparam da foice foi Keanu Reeves, que em «Ruptura Explosiva» [«Point Break»] (1991) e «Speed – Perigo a Alta Velocidade» [«Speed»] (1994) se fez um herói, mas incorporando dilemas emotivos geracionais nos protagonistas destemidos do passado.

Paralelamente a Reeves, Liam Neeson assumiu o lugar deixado por Charles Bronson, falecido em 2003, e Jason Statham virou um Stallone de plantão, capaz de se encaixar em tramas pipoca como a franquia “Meg”. Já a figura de “Sisu” é uma mistura desses três, um trinômio entre Keanu, Liam e Jason.

Escrito e realizado por Helander, que filmou na Estónia, o novo Sisu acompanha a peleja de sobrevivência de Aatami Korpi, interpretado por Jorma Tommila. Ele retorna ao território soviético para recuperar a madeira da antiga casa da sua família, enfrentando um antigo oficial do Exército Vermelho vivido por Stephen Lang. A longa foi produzida por Stage 6 Films, Subzero Film Entertainment e Good Chaos, com coprodução finlandesa e distribuição internacional pela Sony Pictures Releasing através da Screen Gems. 

Com um orçamento estimado em US$ 12,2 milhões, mais que o dobro do filme anterior, ele figura entre os mais caros da história do cinema finlandês. O orçamento ampliado permitiu sequências de ação mais elaboradas e a participação de nomes internacionais no elenco, como Lang. Tudo é mais mirabolante em cena agora, mas as sequências de perseguição são ainda mais frenéticas do que o original.

Título original: Sisu 2 Realização: Jalmari Helander Elenco: Jorma Tommila, Stephen Lang, Richard Brake Duração: 89 min. Finlândia/Reino Unido, 2025

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