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Postal de Cannes – dia 20 de Maio de 2026

«Notre Salut», filme de Emmanuel Marre apresentado na secção competitiva de Cannes, ficará, por certo, como um dos objectos mais desconcertantes do festival. Porquê desconcertante? Porque a sua evocação do governo de Vichy, formado em 1940, na sequência da ocupação da França pelos nazis, tem todos os elementos de um tradicional “filme de guerra”, mas foi rodado num tom bem diferente. Marre coloca os seus actores numa espécie de espaço de “reportagem”, com uma ágil câmara à mão, embora a ficção seja rigorosamente controlada — o resultado é a sensação de um poder maligno que se vai infiltrando no quotidiano, apesar de (ou precisamente porque) esse quotidiano permanecer envolvido numa falsa estabilidade.


Trata-se, além do mais, de um filme com uma dimensão pessoal muito forte. Isto porque Marre se inspirou na figura do seu bisavô, um apoiante convicto das políticas de sujeição de Vichy aos alemães. O resultado tem qualquer de drama intimista, ao mesmo tempo que sentimos a crueldade da guerra a avançar e, mais concretamente, o envio de milhares de judeus franceses para campos de concentração.

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