Para a terceira sessão do Nimas Fora de Horas, a acontecer no dia 29 de maio à meia-noite, o MOTELX e a FilmTwist revisitam “Possession” (França, RFA, 1981) de Andrzej Żuławski, um clássico do terror europeu considerado pela revista Sight & Sound um dos melhores filmes de todos os tempos.
| Baseado em parte na experiência pessoal do realizador durante o conturbado divórcio da atriz Małgorzata Braunek, o filme incorpora ainda um forte subtexto político: a escolha de Berlim não é casual, sendo o ponto mais próximo da Polónia e de outros países do bloco socialista. O Muro de Berlim funciona assim também como metáfora da Cortina de Ferro, enquadrando o horror íntimo numa tensão histórica e geopolítica mais ampla. Estreado em Cannes, “Possession” não teve uma receção fácil. A sua intensidade valeu-lhe a proibição no Reino Unido no contexto dos chamados Video Nasties, enquanto nos EUA foi distribuído numa versão fortemente amputada, com cerca de 80 minutos, ignorada pela crítica da época. Essa controvérsia acabou, no entanto, por reforçar a sua aura de mistério, contribuindo para o seu estatuto de clássico de culto e objeto de fascínio permanente para cinéfilos e críticos. Importa ainda destacar a interpretação de Isabelle Adjani, que lhe valeu um prémio em Cannes e, inadvertidamente, a consolidou como um dos grandes ícones do terror europeu. Sam Neill chegou a descrever a rodagem como “a experiência mais extrema” da sua carreira. O académico Bartłomiej Paszylk considerou-o “um dos filmes de terror mais enigmáticos e intransigentes da história do cinema”. Mais de quatro décadas após a sua estreia, “Possession” permanece uma obra profundamente provocadora e intensa, que ultrapassa os limites do género e desafia o espectador a confrontar os aspectos mais sombrios da mente humana. |
| |
| “Há muitos filmes que parecem ter sido feitos por loucos. ‘Possession’ poderá ser o único filme que é, ele próprio, louco: imprevisível, horrífico, e cujos momentos de aterradora lucidez apenas servem para acentuar a vertiginosa demência que reside no seu núcleo. Uma experiência extrema, mas essencial.” – Tom Huddleston, Time Out “Embora seja fácil perceber porque foi catalogado como um filme de terror, a sua primeira metade oferece um dos retratos mais visceralmente intensos da desintegração de uma relação alguma vez levados ao cinema, rivalizando sem dificuldade com ‘Antichrist’ de Lars von Trier, ‘The Brood’ de David Cronenberg e ‘Scenes from a Marriage’ de Ingmar Bergman.” – Michael Brooke, Sight & Sound “’Possession’ continua a ser uma das experiências cinematográficas mais extenuantes, poderosas e avassaladoras que provavelmente terá ao longo da vida.” – Peter Sobczynski, RogerEbert.com |




