Com «GOAT – O Maior de Todos» (2026), a Sony continua a mostrar os seus trunfos no cinema de animação. Depois de navegar no «Aranhaverso» (por duas vezes) e pelo mundo de «Kpop Demon Hunters», chegou a vez de voltar a pisar o território do antropomorfismo animal (onde a Disney tem apostado recentemente as suas fichas, com «Zootrópolis» e «Zootrópolis 2»). E resolve fazê-lo com um tema que agradará particularmente às audiências norte-americanas: o basquetebol.
Em termos de narrativa, há pouco de novidade no filme realizado por Tyree Dillihay e Adam Rosette. É a história clássica do underdog, que luta contra todas as probabilidades, rumo ao sucesso. Neste caso, o underdog é Will uma pequena cabra que ambiciona vir a ser o maior jogador de todos os tempos (o trocadilho em inglês – uma goat que quer ser G.O.A.T. – greatest of all times – pode ser difícil de transpor para outros idiomas). O desporto em causa apresenta-se como uma variante imaginária do basquetebol, o “roarball”, jogada por animais (sobretudo de grande porte) e em estádios muito particulares. E, a par de Will, é possível ver em campo uma avestruz nervosa (e viciada em redes sociais), uma pantera veterana, um rinoceronte focado em ser bom pai ou um cavalo egocêntrico.

Os atletas animais, desenvolvidos com personalidades e trejeitos marcantes, dão colorido ao enredo, embrulhado em referências desportivas, cruzamentos com jargões da era das redes sociais (com lives, danças de TikTok e memes) e uma banda sonora de música orelhuda. O espírito é cool, mas, ainda assim, não chega para compensar os clichés narrativos e a sensação de que se consegue prever o fim do filme logo nos primeiros minutos.
Tudo muda, no entanto, quando olhamos para a técnica. A arte da animação é múltipla e a Sony parece apostada, nos últimos anos, a mostrar-nos que há muito para descobrir e experimentar, mesmo nas produções mainstream. «GOAT» recupera alguma da técnica com que a Sony nos maravilhou no «Spiderverse» (como o estilo visual próximo da banda desenhada ou o rácio reduzido de frames por segundo, que permite jogar com a fluidez da animação e criar outras camadas de leitura da narrativa). Acrescenta também pormenores novos, como a apropriação de POV e linguagem visual televisiva da transmissão de um jogo de basquetebol; o aproveitamento dos diferentes rácios de frames por segundo para acentuar intensidades distintas durante um jogo; ou até planos de impacto que piscam o olho a diversas referências relevantes para o universo (como as cadernetas de cromos, que vêm à memória quando personagens “rasgam” o ecrã ou surgem distintos efeitos holográficos). Também relevante é a forma como o antropomorfismo animal é trabalhado de forma menos rígida, com as personagens a oscilarem entre movimentos humanizados e outros mais próximos dos comportamentos naturais, para expressar diferentes intenções.

O estilo de animação atrai, os pequenos detalhes visuais abrilhantam. No fim de contas, a proeza técnica compensa a falta de imaginação narrativa e faz deste «GOAT – O Maior de Todos» um luxo visual, com a Sony a marcar pontos (triplos, talvez, mantendo a linguagem do basquetebol) na sua abordagem de assinatura que funde 3D CGI com uma abordagem 2D.
Com o basquetebolista Stephen Curry a assumir o duplo papel de produtor-executivo do filme e voz da girafa Lenny, o filme conta também no elenco com Caleb McLaughlin como a cabra Will, Gabrielle Union como a veterana pantera Jett, Nick Kroll como o dragão-de-Komodo Modo, Nicola Coughlan como a avestruz Olivia e David Harbour como o rinoceronte Archie, na versão original.
Título original: GOAT Realizador: Tyree Dillihay, Adam Rosette Elenco: Caleb McLaughlin, Gabrielle Union, Stephen Curry (V.O.); Valdemar Brito, Papillon, Mina Andala (V.P.) Origem: Estados Unidos Duração: 100 minutos Ano: 2026
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