Uma obra de grande beleza visual e profunda emoção que oferece um vislumbre da relação entre mãe e filha
Corpo de Cristo junta ilustrações e bordado para construir uma história íntima sobre saúde mental, laços familiares e o peso dos papéis sociais impostos às mulheres. A partir da infância de Vera, marcada por uma mãe atormentada por dores que os médicos tentam explicar e os exorcistas expulsar, a autora constrói um retrato cru e terno de amor incondicional entre mãe e filha, numa sociedade católica, pobre e patriarcal.
Com uma linguagem visual única e um registo emocional poderoso, Bea Lema dá voz a experiências muitas vezes silenciadas, abordando o estigma da doença mental e o fardo invisível do cuidado, numa obra gráfica comovente e de enorme sensibilidade.
«Poucas bandas desenhadas mostram tanta personalidade, mantendo-se perfeitamente acessíveis. Corpo de Cristo recorda-nos a importância da escuta e da empatia no seio de cada família.»
Le Figaro
«Para além do seu impacto emocional e da força desta história familiar, se Corpo de Cristo é tão interessante é porque, além disso, pode ser visto como um reflexo da própria evolução da sociedade espanhola.»
Rockdelux
SINOPSE
Quando Vera era criança, um demónio assombrava a sua casa e atormentava a sua mãe, fustigando-lhe os nervos até ela ficar de cama durante dias. Entre sessões de exorcismo e consultas com o psiquiatra, a superstição vai-se desvanecendo ano após ano para dar lugar ao diagnóstico. Mas apesar da doença e das excentricidades, o amor entre Vera e a mãe é mais forte do que qualquer outra coisa, capaz de sobreviver à passagem do tempo, às tormentas e ao estigma da sociedade.
Combinando desenhos delicados com bordados feitos à mão pela autora, Corpo de Cristo relata com uma ternura crua o tabu da doença mental e o papel de cuidador sempre imposto às mulheres. É também o retrato trágico e universal de uma mulher presa ao seu papel de filha, mãe e esposa numa sociedade patriarcal, pobre e católica.
A AUTORA
Bea Lema nasceu em 1985 na Corunha. É ilustradora e autora de banda desenhada. O seu trabalho é geralmente de carácter autobiográfico e aborda questões relacionadas com a loucura, o trauma, as relações familiares, a religião e os ritos populares. A nível gráfico, explora o desenho e o bordado como suporte para as suas ilustrações e bandas desenhadas.
Em 2017, recebeu o XII Prémio Castelão de Banda Desenhada atribuído pela Deputação da Corunha pela obra Corpo de Cristo, a sua primeira novela gráfica, um projeto autobiográfico que aborda a doença mental da perspetiva de uma criança.
Em 2022, obteve uma bolsa para realizar a residência de novela gráfica na Maison des Auteurs de Angoulême (França). O livro em que trabalhou baseia-se nesse primeiro trabalho e está publicado em França pela editora Sarbacane com o título Des maux à dire e em Espanha pela Astiberri com o título El Cuerpo de Cristo. Foi galardoado com o Prémio Nacional del Cómic 2024 de Espanha, o Prémio do Público do Festival d’Angoulême 2024, o Prémio Bédélys 2024 do Festival BD de Montréal para melhor obra estrangeira, o Prémio do Júri do Festival BD en Périgord 2023 e o Grande Prémio l’Héroïne Madame Figaro 2024.
Atualmente, está a trabalhar na adaptação deste livro para uma curta-metragem de animação. Produzido pela Uniko e pela Abano Producións, o projeto encontra-se em fase de pré-produção e foi apresentado no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy 2023.
Bea Lema estará em Lisboa, para o festival Amadora BD, de 31 de outubro a 3 de novembro.
Nas livrarias a 6 de outubro.

