Em Caderno Azul, quarto título da coleção Angoulême, André Juillard apresenta uma narrativa
subtil e melancólica, onde a arte se cruza com os silêncios da vida quotidiana. A história acompanha
o quotidiano de Victor, um homem solitário que, num gesto voyeurista, mas contido, observa Claire,
uma mulher de quem se torna amante, registando os seus pensamentos e esboços sobre ela num
diário gráfico — um caderno azul — que acaba por ser encontrado por Claire.
Com um traço elegante e expressivo, Juillard constrói uma atmosfera intimista, quase
cinematográfica, onde os gestos e os olhares dizem mais do que as palavras. A narrativa é quase
muda, com ênfase nos olhares, nos gestos e na atmosfera melancólica das ilustrações, que
capturam a solidão e a efemeridade das conexões humanas. Prémio “Melhor Álbum” Angoulême,
1995.

