Kiki de Montparnasse, de Catel Muller e José-Louis Bocquet, é uma das mais reconhecidas biografias gráficas da banda desenhada contemporânea e acaba de ser publicada em Portugal pela DEVIR (412 pp | 22€).
Kiki de Montparnasse é uma obra incontornável da banda desenhada biográfica contemporânea, assinada por Catel Muller e José-Louis Bocquet. Este livro presta homenagem a Kiki de Montparnasse, uma das figuras mais emblemáticas da boémia parisiense dos anos 1920, modelo, cantora, atriz e símbolo maior da liberdade artística e feminina da sua época.
Trata-se, também, do último título da coleção Angoulême, um projeto editorial através do qual a DEVIR se propôs dar a conhecer obras distinguidas pelo prestigiado Festival. Uma coleção que reúne títulos de abordagem diferenciada, tanto na construção narrativa como na expressão artística.
Obras que, pela sua profundidade histórica, relevância temática e intensidade emocional, estabelecem pontes com a atualidade e oferecem histórias capazes de gerar identificação e proximidade com os leitores.
A HISTÓRIA
Nascida Alice Prin, Kiki cresceu num contexto de dificuldades económicas e instabilidade familiar. Ainda jovem, instala-se em Paris, onde rapidamente se integra no vibrante meio artístico de Montparnasse. Torna-se modelo de inúmeros pintores e fotógrafos, entre eles Man Ray, com quem viveu uma intensa relação pessoal e criativa.
Muito mais do que musa, Kiki foi protagonista do seu próprio percurso: independente, irreverente e ousada, construiu uma identidade artística singular, desafiando convenções sociais e afirmando-se como uma mulher livre num tempo de profundas transformações culturais.
A narrativa acompanha o seu trajeto desde a infância até à consagração como lenda viva da vida cultural parisiense, revelando uma existência marcada por excessos, vulnerabilidades, talento e resistência.
A ARTE
Com um traço limpo, elegante e expressivo, Catel Muller constrói uma biografia gráfica de grande fôlego, onde o rigor documental se alia a uma forte sensibilidade estética. A opção pelo preto e branco reforça a atmosfera da época e sublinha a intensidade emocional da narrativa, conferindo-lhe simultaneamente sobriedade e modernidade.
A composição das pranchas, clara e fluida, permite uma leitura envolvente, equilibrando momentos intimistas com a efervescência cultural da Paris dos anos loucos.
A obra destaca-se pela capacidade de recriar ambientes, gestos e expressões, dando corpo a uma personagem complexa e fascinante.
OS AUTORES
Catel Muller é uma das mais reconhecidas autoras francesas de BD, particularmente celebrada pelo seu trabalho em biografias femininas.
José-Louis Bocquet é argumentista e escritor, especializado em narrativas biográficas e históricas. A sua colaboração com Catel tem
resultado em obras amplamente aclamadas pela crítica.
Kiki de Montparnasse é, assim, mais do que uma biografia: é uma celebração da liberdade criativa, da afirmação feminina e do espí-
rito artístico que marcou uma geração. Uma obra que resgata a memória de uma mulher que foi simultaneamente musa e criadora,
mito e realidade, símbolo eterno da boémia parisiense.





