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A Assassina

Elogiado sobretudo pela beleza contemplativa que emana dos enquadramentos oblíquos, dos planos longos e paisagens maravilhosas, «A Assassina» (2015) – filme que valeu a Hou Hsiao-hsien o prémio de Melhor Realizador em Cannes 2015 – não se pode reduzir a um mero exercício de estilo. É verdade que a estrutura labiríntica do enredo, assente em intrincados laços familiares e/ou de dependência, assim como os diálogos esparsos e elípticos podem dificultar o trabalho do espectador que, alheado da história, facilmente se deixa seduzir por pormenores visuais, sem dúvida deslumbrantes, mas que a todo o momento ameaçam ofuscar o dilema moral pungente da protagonista. Vale por isso a pena ver pelo menos duas vezes.

A Assasina
Catarina Maia
Catarina Maia
Catarina Maia é crítica de cinema, editora de conteúdos e investigadora independente. Escreve regularmente para a revista METROPOLIS desde 2013, entre críticas, entrevistas e ensaios sobre cinema contemporâneo, cultura visual e cinema de autor. Licenciada em Estudos Artísticos e pós-graduada em Estudos Fílmicos e da Imagem pela Universidade de Coimbra, cruza frequentemente o pensamento cinematográfico com questões sociais, éticas, ecológicas e urbanas. Paralelamente, desenvolve trabalho na área da comunicação cultural e coordena o projeto cívico de cariz ambiental Jardim Monte Formoso, ligado à biodiversidade e ao espaço público. Interessa-se particularmente pelas relações entre cinema, ética, memória e justiça social. A frase “Não gastes tudo em freiras”, do filme As Bodas de Deus (1998), de João César Monteiro, permanece como mote pessoal, entre a ironia, a ternura e a desobediência.

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