Em termos de carreira, «Slacker» é o segundo filme de Linklater, mas foi o primeiro a ter distribuição comercial. O seu primeiro filme, «It’s Impossible to Learn to Plow by Reading Books», foi apenas editado comercialmente como um bónus da edição de «Slacker» da The Criterion Collection. «Slacker» é uma demonstração inequívoca de todo o talento de Richard Linklater na arte do storytelling e na direção de ensembles vastíssimos com inúmeros personagens e a sua capacidade de envolver a audiência. Linklater dirigiu e conferiu significado a cada um destes desempenhos e diferentes histórias. O pano de fundo é a cidade natal do cineasta, o local mais liberal e progressista do Texas, um embrião de criatividade num estado americano profundamente conservador. O fio condutor são sobretudo jovens indigentes na fronteira dos 30 anos. A partir do primeiro personagem (interpretado pelo próprio Linklater), temos um convite para conhecer o estado de alma de uma juventude em convulsão na entrada dos anos 1990. Um olhar sobre uma juventude que não se identificava com correntes dominantes e mais tarde (e mais a norte, em Seattle) tem uma expressão artística e de consciência social através do grunge. «Slacker» é uma narrativa por estafetas em que cada personagem passa o testemunho ao próximo num período de 24 horas. É uma joia indie nada convencional, mas uma forma original de explanar uma história; é um belo exercício de cinema.

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